Nada mais desnortente do que estar num parque nacional, onde as notícias e até os boatos sobre aparições de onças corre pelas picadas como sinos do advento, e saber que bem aqui ao lado havia uma operação comercial para liquidá-las pela caça clandestina.
A queda das folhas nas árvores mais altas abriu alas na floresta para o desfile dos bandos de macacos-pregos, com saltos espetaculares e arrastões irresistíveis, em que parecem dispostos a comer tudo o que encontram.
Em vez de acalentar velhos mitos, a professora Adriana Tavares preferiu ir procurar na vida real a história da cidade onde nasceu, na década de 1970, dentro do parque nacional do Iguaçu. E encontrou um tesouro enterrado em velhos baús.
As prefeituras que achavam a Estrada do Colono indispensável ao escoamento de suas safras agrícolas agora querem explorá-la como roteiro "ecológico", mas nunca levantaram um dedo contra a pirataria no parque.
"Floresta Estacional Semidecídua" pode dizer tudo aos botânicos, mas diz pouco aos leigos, até eles terem a chance de acompanhar, passo a passo, suas mudanças diárias, quando o frio e as estiagem chegam a Iguaçu.
Como em parque nacional a natureza é coisa concreta, no Iguaçu a Semana do Meio Ambiente incluiu uma limpeza das margens do rio, carregadas de lixo urbanoe agrícola. Mas o clima era de festa.
O que fazer com uma fotografia de borboletas, moscas coloridas e berousos variados disputando o privilégio de pousar num excremento? Os biólogos americanos Adrian Forsyth e Kenneth Miyata deram há tempos a resposta em Tropical Nature.
Duas onças-pintadas posaram para as câmeras na noite de segunda-feira, marcando no Iguaçu a volta dos irmãos que até um mes atrás pareciam estar em toda parte ao mesmo tempo. A boa notícia é que eles cresceram. A má, que ainda há caçadas no parque. De onça, inclusive.
Chama-se "Pança", por estar de barriga cheia, a primeira onça-pintada capturada e solta pelo Projeto Carnívoros do Iguaçu, que é o recomeço da conservação no parque e um marco na carreira da bióloga Marina Xavier da Silva, há seis anos esperando essa chance.
Caiu neste fim de semana a primeira onça-pintada nas armadilhas do Projeto Carnívoros do Iguaçu. Bem no momento em que uma circular da administração ensina os moradores e funcionários do parque do Iguaçu a espantar com foguetes as que rondam suas casas.
sexta-feira, julho 30, 2010
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