Rotina de funcionário público é a arte de contar as horas que faltam para o fim do expediente. Certo? Errado. Jorge Pegoraro, o chefe do parque nacional do Iguaçu, deu um jeito de esticar os seus dias como fotógrafo de natureza.
Durou 55 dias a vida de Manu, o filhote de veado mateiro que foi achado em outubro no parque nacional do Iguaçu, ferido e desgarrado da mãe. Dias atrás, foi atacada por uma jaguatirica. Morreu no mato, o lugar certo.
Guia de ecoturismo num fundo do parque nacional que quase ninguém visita e quilombola por obra e graça de uma largueza do governo, Almiro Marcelino Pereira administra sozinho um tesouro turístico que o Brasil ignora.
Há um ruído característico de animais esquivos correndo no mato que acorda os instintos de caçador até no mais pacíficista dos fotógrafos de natureza. E aquele parecia aos ouvidos ser um bicho muito especial.
Numa série inédita de vídeos, entre depoimentos de ex-diretores do Iguaçu e descendentes de pioneiros, a entrevista de uma ex-moradora do parque destoa pelo horror ao mato. Mas é história típica da fronteira.
Nem a presença do presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff conseguiu abafar, no começo do mes, a campanha matrimonial dos guaxes, que aos berros tecem seus ninhos nas palmas das jerivás.
Como recuperar três semanas de ausência no parque nacional do Iguaçu? Dando baixa no tempo perdido, que só volta no ano que vem, e correndo atrás das novidades da estação, que também passam depressa.
Trazem más notícias os dados coletados em dois meses de andanças pelo rádio-colar instalado num filhote de onça no Iguaçu: Pança gosta de lugares cheios de gente e de animal doméstico solto onde não deveria.
É época de acasalamento dos surucuás, os pássaros mais vistosos e discretos da temporada. Seu canto em surdina está em todo parte. E seu vulto imóvel também. Mas um casal resolveu fazer ninho bem diante da janela, na sede do parque.
Correm em raias paralelas em Brasília reuniões com a Unesco para garantir, entre os assuntos, o títuto de Patrimônio Nacional da Hiumanidade para o Parque do Iguaçu e um novo projeto para cortá-lo com uma nova versão da velha Estrada do Colono.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
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