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	<title>Marcos Sá Correa &#187; Mudança Climática</title>
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	<description>Colunismo a Quilo</description>
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		<title>Depois da chuva, o vento pode virar</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Jan 2011 21:01:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades Sustentáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Favelização]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os procuradores do Ministério Público Federal em Petrópolis mostram numa tabela como e por que não prosperam ações ambientais contra ocupações irregulares. Nunca foi tão fácil localizar os culpados pelas centenas de mortes na região serrana do Rio de Janeiro. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Petrópolis-Google-Geoeye2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1439" title="Petrópolis Google Geoeye" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Petrópolis-Google-Geoeye2.jpg" alt="" width="409" height="306" /></a></p>
<p><strong>T</strong>romba d’água, em qualquer lugar, cai de repente. Mas, nas cidades serranas do Rio de Janeiro, desastre ambiental é notícia velha. Data no mínimo de cinco anos, pela tabela em que os procuradores Vanessa Seguezzi e Charles Estêvão da Motta Pessoa listaram ações civis públicas na Área de Proteção Ambiental de Petrópolis.</p>
<p>Dela consta, por exemplo, a tentativa de “conter a expansão das ocupações irregulares” na “Comunidade da Vila União, acesso pela Estrada Velha, rua Lopes Trovão”. É uma história de 2005. Em 2009, saiu a liminar que mandava a prefeitura “demolir as moradias desocupadas no prazo de 60 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil” e encomendava ao Ibama a restauração da floresta nas áreas ainda desocupadas, “no mesmo prazo e sob a mesma pena”, determinando que ambos ficassem dali para a frente encarregados de fiscalizar o local “bimestralmente”, contra a construção de novas casas.</p>
<p>Dito assim, parece que foi tiro e queda. Mas, na coluna seguinte, vem uma anotação que suspende todas as presunções em contrário: “Aguardando sentença”. Seguezzi é paranaense. Chegou em Petrópolis há quatro anos. “Para ficar”, ela afirma. Lá, divide a tutela de interesses coletivos – que incluem a defesa do meio ambiente &#8211; com  Motta Pessoa. Ambos foram recepcionados no município por ações que os antecendem e nem por isso se concluíram.</p>
<p>Foi também em 2005 que começou o processo de “reparação e compensação dos danos ambientais ocorridos na rua Professor Stroller, nº 1.883, Quarteirão Brasileiro”. O Ibama e a Prefeitura foram intimados a apresentar em 150 dias um “estudo técnico da área de risco”. E a administração municipal, a proceder à “retirada e realocação dos habitantes”, nos termos do tal estudo técnico, “informando ao juízo as eventuais pessoas que se recusarem a deixar o local”.</p>
<p>Mas o espaço reservado à a execução dessas ordens está ocupado por um lacônico “não há”. Quer dizer, não existem informações. Coisa que só acontece em favela? Quem dera. Há na lista uma ação de 2003 contra danos ambientais “ocorridos na Ladeira Nair de Oliveira Kronemberg”, como sempre por “ocupação irregular”. Entre os responsáveis pelo loteamento, aparece um Kronenberg, com o mesmo sobrenome da rua. Cheira a coisa de gente fina. Pelo cadastro do IPTU, os imóveis pertencem à Companhia Imobiliária Quitandinha.</p>
<p>Ali também caberia à Prefeitura “realocar as famílias e demolir todas as ocupações irregulares”. Ao Ibama, “apresentar projeto de reflorestamento”. A todos os réus, executá-lo. Nesse ponto, mais uma vez, a história acaba de repente. Não dá mesmo para exigir muita eficácia ambiental de um Município que, segundo Seguezzi, “destina 6,5 milhões de reais à área da Cultura”, “310 mil ao meio ambiente” e “370 mil à habitação”.</p>
<p>Dos dez casos arrolados pela procuradora, só um, aberto há mais de cinco anos na rua Hermógenes Silva, no bairro do Retiro, terminou em “sentença condenatória”, cinco meses atrás. O resto foi deixado no ar. Se não desabou sobre alguém nas últimas chuvas. Além das ações e de 12 inquéritos contra ocupações regulares, Vanessa Seguezzi está juntando pistas de “condomínios irregulares” na APA de Petrópolis. Santo remédio contra a lenda de que a lei só cai em lombo de pobre. Quando tem do outro lado a proteção da natureza, geralmente não cai em lombo de pobre nem de rico.</p>
<p>Fora os processados e os procuradores, até poucos dias atrás ninguém teria maiores motivos para manter os olhos sobre este inventário, que aponta culpas paa todos os lados. Por exemplo, da Ampla, empresa de energia elétrica que, como as outras concessionárias, aproveita o primeiro cutucão judicial para botar postes e fios em ocupações irregulares, ajudando a consolidá-las. É o caso, por exemplo, da invasão na rua Professor Stroller, objeto de uma notificação datada de agosto de 2007.</p>
<p>O dossiê de Vanessa Seguezzi e Charles Motta Pessoa desceu a serra na última enxurrada. Chegou ao centro do Rio de Janeiro, onde – pelas mãos de um padrinho atento a questões ambientais, o procurador Paulo Bessa &#8211; subiu ao gabinete da procuradora Cristina Schwansse Romanó, chefe da Procuradoria Geral da República na 2ª Região. E ali inspirou um pedido para que o Ministério Público siga em Teresópolis e Nova Friburgo o exemplo de Petrópolis, enviando-lhe relatórios semelhantes.</p>
<p>Romanó, pelo cargo que ocupa, tem linha direta com o plenário do Tribunal Regional Federal. É nessa instância que se processam administradores municipais. E, numa calamidade que até o momento teve mais de 700 mortos e nenhum culpado, eis o primeiro sinal de que os ventos podem virar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para quem não for ministro em 2011</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/12/29/para-quem-nao-for-ministro-em-2011/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 21:55:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>

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		<description><![CDATA[De quatro em quatros anos, o réveillon se confunde no Brasil com a posse de novos governos. Por isso mesmo, está mais do que na hora de festejar o fato de que nem tudo neste planeta se resolve lá em cima. Muita coisa pode acontecer cá embaixo, enquanto os políticos se divertem, fazendo o possível para o mundo continuar o mesmo. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Fogos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1405" title="Fogos" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Fogos.jpg" alt="" width="409" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong>O</strong>s políticos trabalharam tanto ultimamente para compor o ministério do governo Dilma Rousseff, embananar mais uma conferência do clima em Cancún e resolver outros problemas cruciais da humanidade, que às vezes a gente se esquece de quem trata de assuntos concretos cá embaixo.</p>
<p>Séculos inteiros podem passar sobre o cotidiano antes que um historiador como Fernand Braudel resolva cavucá-lo em busca da História silenciosa, a que parece imóvel mas, calada, move o mundo. E nada impede que, um dia, 2010 seja lembrado como o ano em que a GM começou a fazer nos Estados Unidos um carro elétrico, o Volt, com a escória do plástico que serviu para enxugar o óleo derramado pela BP no Golfo do México.</p>
<p>Isso não faz necessariamente da GM um modelo para o futuro. Suas vendas de carros estão em queda. As de picapes e outros mastodontes de lata em alta. O Volt fecha o ano com 10 mil carros vendidos. Deve emplacar uns 45 mil em 2011. Por enquanto, só está aí para provar que existe. Mas é o quanto basta para lançar a sombra da obsolescência e do anacronismo sobre os carros que fabricamos, importamos e compramos como nunca no Brasil. Se até a GM já faz carro elétrico, está na hora de adiar a visita às concessionárias que não acertarem o passo com as matrizes estrangeiras.</p>
<p>Não adianta argumentar que, sim, nossos carros novos estão na fila de velharia, mas em compensação o i-Pad e todos os “i-s” da Apple já desembarcaram em massa no Brasil. Vestidos de alumínio, são todos tão elegantes que esta semana, no <em>Wall Street Journal</em>, o jornalista Brett Arends, guru de bolsa, admitiu que as ações da Apple furaram estrepitosamente o teto de cotação que ele considerava prudente, ou mesmo possível. É que não se trata mais de uma empresa de tecnologia, mas de uma grife. “A Apple”, ele alegou, “é uma marca de luxo, como a Hermés ou Tiffany”.</p>
<p>E é exatamente por estar tão em voga que não pode dar ao freguês a sensação de que, ao adquirir um objeto bonito, comete em público um ato feio. Para remediar esse embaraço, a última palavra em acessório para MacBook pode ser um atestado de bom comportamento, expedido em Nova York pela Belgrave Trust.</p>
<p>A Belgrave calculou quanto cada MacBook de alumínio custará ao planeta, da fábrica ao fim da vida útil. São 630 quilos de dióxido de carbono, que o feliz proprietário pode zerar, de saída, pela bagatela de 10 dólares, investidos em reflorestamento. Se colar, a indulgência ambiental da Belgrave arrecadará uns 100 milhões de dólares. É árvore que não acaba mais.</p>
<p>E para não parecer que só o presente aponta para o futuro, ponha-se no pacote deste Natal o Homem de Denisovan. Ou seja, o osso da mão de uma prima do Homem de Neandertal descoberta na Sibéria. É uma velha obsessão do biólogo americano Bernd Heinrich o sumiço repentino dessas criaturas, que tinham cérebros tão grandes quanto os nossos, usavam fogo, despachavam seus mortos com flores e zanzaram pela Ásia e a Europa por mais de 250 mil anos</p>
<p>Ele acredita que o Homem de Neandertal sobreviveu pacificamente a tres eras glaciais por ter o corpo coberto de pelos, como o dos macacos japoneses que vivem na neve. Desapareceu porque o clima esquentou, abrindo alas para o glabro <em>Homo sapiens </em>e sua incurável propensão a exterminar tudo o que considera diferente. O homem peludo sofreu a primeira campanha de limpeza étnica de nossa história. E Heinrich insiste que ele até hoje tem algo a nos dizer sobre as vantagens para o planeta da coexistência pacífica. A época não poderia ser mais propícia para o dedo de Denisovan indicar o caminho.</p>
<p>E feliz Ano Novo!</p>
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		<title>Recordes de visitação em série</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 22:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Cataratas do Iguaçu]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O parque enfrentou esta semana dois testes de resistência a pressões sempre crescentes. Passou por lá um furacão da pesada, abrindo clareiras na mata, e um feriadão que empurrou mais de 29 mil pessoas por seus portões adentro. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Ronaldo_3852-copy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1258" title="Ronaldo_3852 copy" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Ronaldo_3852-copy.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>U</strong>fa! O parque nacional do Iguaçu passou por uma semana de testes. Uma tromba d’água lambeu-o furiosamente na madrugada de quinta-feira. Foi anunciada à tarde pelo rádio como um autêntico tornado. Veio uma espécie de ciclone tropical, que despejou boa parte de sua fúria na Argentina, onde passou primeiro. Invadiu o Brasil no meio da noite, roncando a 95 quilômetros por hora.</p>
<p>Os vendavais fazem parte da história da região e do parque nacional. Mas estão ficando, a cada ano, mais comuns e mais fortes. Caíram, do lado de cá, as vítimas de sempre – árvores, ninhos, orquídeas, bromélias e, como não poderia deixar de ser, a energia elétrica. A devastação florestal abriu um lanho impressionante na floresta, à beira da BR-469, na altura do quilômetro 29. Ali onde as copas mais altas e a vegetação rasteira formavam dias atrás uma parede vegetal praticamente opaca, agora se vêem nacos de céu e nuvens através da mata rala, como se tivesse passado por ali um gigantesco trator de esteira, trabalhando no atacado pela devastação.</p>
<p>O tamanho exato da cicatriz aberta pela ventania ainda não foi avaliado. Mas a eletricidade voltou ao parque nacional do Iguaçu em poucas horas, antes mesmo do amanhecer. E até que a quinta-feira começou, pelo menos sob o ponto de vista dos pássaros, como um dia típico de primavera, inundado de cantos nupciais.</p>
<p>Mas vinha outro vendaval pelo caminho. Dessa vez, um vendaval humano. Ou turístico. Alinharam-se nesse feriadão de outubro festas religiosas, cívicas e pagãs, além de nacionais e continentais, com potência de sobra para jogar em seus portões pelo menos 29 mil pessoas. A previsão dos administradores do parque e dos operadores de turismo era uma enxurrada de 25 mil turistas. Ambos erraram bastante. E erraram para menos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Hidrobus_2044.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1259" title="Hidrobus_2044" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Hidrobus_2044.jpg" alt="" width="394" height="242" /></a></p>
<p>Só no domingo vieram 12.400 pessoas. Não chegou a ser s um recorde histórico de bilheteria, que continua, por uma diferenta de mais de 100 ingressos, com novembro do ano passado. Mas esses recordes de público estão durando cada vez menos no parque. São quebrados com freqüencia crescente, como a dos grandes temporais. E 2010 tem sido um ano de parque cheio, a começar pela média de cinco mil visitas diárias,  registradas nas férias do verão passado. Tende a fechar dezembro na marca de 1 milhão e 200 mil visitantes. Se não ultrapassá-la. A cidade de Foz do Iguaçu, que vive principalmente do turismo, aposta em 1 milhão e 300 mil.</p>
<p>É um número ambíguo, que aponta ao mesmo tempo para a popularidade internacional das cataratas e a fragilidade do parque nacional como reserva natural. Seus planos de manejo, os relatórios dos pesquisadores, até os guias de fauna ou flora e os dossiês da Unesco, que reavaliam periodicamente seus trunfos como sítio do patrimônio natural da humanidade, torcem os narizes para essa multidão cada vez maior, zanzando lá dentro. Já havia essa tendência a tratar os recordes como problemas em 1979, quando a conta bateu em 712.327 pessoas.</p>
<p>Não podendo barrar a maré turística, o remédio prescrito na ocasião foi tentar espalhar ao máximo os visitantes, oferecendo-lhes como opção programas menos batidos. Senão, eles marcham em filas compactas pela trilha das Cataratas. Deixam para trás, na pressa ou na falta de tempo para entender que aquele ambiente superlotado é, apesar de tudo, natural, garrafas PET, latas de refrigerante e invólucros de lanches rápidos pelo quilômetro e meio do trajeto.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Corticeira_2061.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1260" title="Corticeira_2061" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Corticeira_2061.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Um dos desvios que vieram para atender esse chamado é o Macuco Safari. Com nome de ave esquiva e sobrenome que ainda ressoa a caçadas afrucanas, a empresa movimenta, só no parque, sete barcos como motores de popa menos poluentes, dois botes de <em>rafting</em>, nove carros elétricos, jipes Willys, que são autênticas relíquias da indústria automobilística brasileira, convertidos com tecnologia própria ao consumo de etanol. Há na frota do Macuco até um jipe Willys experimental, de motor elétrico.</p>
<p>A maior parte desse equipamento nasceu ou renasceu na oficina que a Macuco mantem em Porto Meira. Seus botes de <em>rafting </em>se inspiraram, à moda oriental, nos Zodiacs franceses. Em outras palavras, copiaram-nos. Mas, ao copiá-los, tornaram as imitações irreconhecíveis. Até a liga da câmera de borracha com náilon resistente foi inventada em casa. E seu sistema de blindagem para diariamente há mais de dez anos pelo grande laboratório de testes que são nas corredeiras do rio Iguaçu.</p>
<p>Sua operação, só no parque, eenvolve mais de 60 funcionários, entre motoristas, barqueiros, guias e monitores. A equipe inclui uma bióloga residente. E conta ultimamente com um candidato ornitólogo, que treina para a especialização acadêmica levando grupos de forasteiros para conhecer a mata. O Macuco também contrata com freqüência caçadores clandestinos e ladrões de palmito, porque eles conhecem a floresta melhor do que ninguém e, trocando de lado, passam a defendê-la.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Socó_2126.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1261" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Socó_2126" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Socó_2126.jpg" alt="" width="273" height="409" /></a>Quem quiser ver a fauna e a flora da região por dentro da floresta, encharcar-se nas quedas d’água dentro do rio ou descer os 70 metros do cânion por rapel terá que procurar um de seus serviços. Dessa base, a empresa lançou-se ultimamente por mares nunca dantes navegados, como os da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, ou do litoral nosdestino. Mas sua origem não poderia ser mais local.</p>
<p>Ela pertence a Ademir dos Santos, um ex-balseiro, que não tira as mãos do leme nen quando se trata esticar o expediente nos feriados, para ver de perto como as coisas estão funcionando na empresa. Ele herdou do pai a queda para o transporte fluvial. A família operava a balsa que ligava o Porto Lupion, em Capanema, à Estrada do Colono, um corte ilegal pelo parque nacional.</p>
<p>Tinha tradição no ramo. Era uma dinastia de balseiros desde o tempo em que sua base ficava em Chapecó, fazendo a travessia do Rio Grande do Sul a Santa Catarina. E, antes de chegar ao extremo oeste do Paraná, ajudou a transportar madeira nativa pelo rio Uruguai, levando toras para o exterior.</p>
<p>Ademir dos Santos mal passava dos 7 anos quando seu pai comprou uma parte na sociedade que controlava a balsa da Estrada do Colono. A essa altura, já sabia manobrar um rebocador. “Nasci na beira do rio, longe dele eu não sei viver”, diz ele. Ou, pelo menos, longe da água. Sua experiência no ramo inclui as chatas que levam areia entre Foz do Iguaçu e Guaíra, atravessando os quase 200 quilômetros do lago artificial de Itaipu.</p>
<p>Trocou a Estrada do Colono pelo cânion do Iguaçu antes mesmo que aquele caminho no meio do parque fosse fechado de vez pela justiça, as forças armadas e a polícia. Assim como hoje inventa carros elétricos, na época Ademir tirou quase do nada a idéia de navegar entre as cataratas, conduzindo turistas em parceria com o guia norte-americano Alexander Peter Shorsch. E prosperou.</p>
<p>Para alguém com seus antecedentes profissionais, explorar as cataratas foi mais que um simples pulo. Ou seja, foi um salto qualitativo. No Macuco, desenhou a torre para observação de pássaros num braço fechado do rio Iguaçu. Da copa de um ingá, mas sem se escorar nos galhos da árvore, fechada com persianas removíveis e balançando suavemente com o vento, ela se debruça sobre um alagado cheio de aningas, socós, jaçanãs, martins-pescadores e outras aves nem sempre fáceis de ver em liberdade. Com sorte, aparecem  antas por ali. E jacarés do papo amarelo são comuns.</p>
<p>É um lugar onde se tem vontade de passar o dia inteiro, porque cada hora trás suas novidades, embora a maioria dos freqüentadores se contente com uma breve pausa no mirante, para satisfazer sua curiosidade ornitológica. Cerca de 8 a 10% dos turistas que vão ao parque do Iguaçu só para conhecer as cataratas enveram pelos desvios que o Macuco oferece. Parece pouco.</p>
<p>Mas isso significa uns 100 mil clientes por ano. Ou mais de mil pessoas só no domingo passado, para o passeio de barco no cânion. A 140 reais por cabeça, parece ser um bom negócio, mesmo que a maioria dos turistas continue embalada nos pacotes que economizam o gasto nas cataratas, para investi-lo nas lojas do Paraguai, nas churrascarias com <em>show</em> latino e outros pratos feitos dessa florescente indústria, que ocupa o primeiro lugar na economia de Foz do Iguaçu e também se considera parte inseparável de seus atributos naturais.</p>
<p>Com a pequena parte que lhe cabe nessa corrida rumo a recordes históricos, o Macuco Safari acaba de renovar seu contrato de concessão por mais 10 anos. E Ademir dos Santos, vindo de um ramal auxiliar da estrada que promovia a invasão da floresta, sente-se agora tão perto da conservação “que até as onças preferem nossas trilhas”. Ele é um exemplo de que o crescimento do turismo pode até ajudar o parque. Mas é deitando raízes na unidade de conservação, em vez de tanger a clientela para uma olhada ligeira nas quedas d&#8217;águas, entre uma excursão e outra de compras noa Tríplice Fronteira.</p>
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		<title>Dez meses depois, a COP-15 dá certo</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/10/04/dez-meses-depois-a-cop-15-da-certo/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 19:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Aqauecimento Global]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>

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		<description><![CDATA[Salva do ridículo político no apagar das luzes pelo segundo escalão, a conferência do clima não acabou em Copenhague, há quase um ano. Ficará no ar por muito tempo, como mostra nesta grande reportagem em forma de livro o cientista político Sergio Abranches. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Copenhague.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1253" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Copenhague" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Copenhague-201x300.jpg" alt="" width="161" height="240" /></a>N</strong>ão é só cá fora que o clima da terra está esquentando. No escurinho dos laboratórios, ele empurra cientistas para o front de uma “revolução econômica, logística, tecnológica e social”. E tem arsenais de relatórios, em que a “frieza dos números e de gráficos cheios de linha” esconde “paixões, simpatias, inimizades, cargos e prestígio”. E, como não poderia faltar, dinheiro.</p>
<p>É por essas e outras que há um ano, quando o mundo se ensaboava para ir à conferência do clima em Copenhague, um sabotador anônimo inoculou as páginas do RealClimate.com <em>e-mails</em> internos da Unidade de Pesquisa Climática da universidade de East Anglia, na Inglaterra, para insinuar que, no fundo, o aquecimento global não passa de uma conspiração acadêmica de paranóicos com intrigantes.</p>
<p>Mas a tramóia serviu mesmo foi para provar que, feita como é por seres de carne e osso, até a melhor ciência se parece “com qualquer atividade humana, ainda que seja conduzida por doutores e premios Nobel”. Diferente, na ciência do clima, é a busca de conhecimento de “velhas árvores, corais, em cavernas, no gelo dos picos mais altos da terra e nos lugares mais gelados do planeta, nos vulcões”.</p>
<p>Isso transformou os cientistas em “montanhistas”, “mergulhadores” ou “trekkers”, misturando uma das maiores aventuras do conhecimento humano nas últimas décadas com a grandes aventuras propriamete ditas, aquelas que pareciam monopólio da turma dos esportes radicais.</p>
<p>Em outras palavras, as de Sérgio Abranches, que aliás é o verdadeiro autor dos parágrafos acima, extraídos de seu livro <em>Copenhague, Antes e Depois, </em>“a ciência do clima é também uma espetacular aventura humana”. Como é o caso do paleoclimatologista Lonnie Thompson, cuja pesquisa de campo abarca, nada mais, nada menos, que a prospecção do gelo milenar nos glaciares mais altos da terra.</p>
<p>Thompson encontrou nos Andes as pistas de desordens climáticas que engoliram civilizações muito antes que o primeiro europeu moderno pusesse os pés no continente americano. Assim como desencavou na cordilheira Qilian Shan, entre o Tibete e a Mongólia, a evidência de que vivemos hoje na época mais calorenta dos últimos 40 mil anos.</p>
<p>A mudança climática, nesses termos, pode ser tudo, menos chata. Nesta reportagem de 321 páginas sobre a conferência de Copenhague, Abranches conseguiu fazer o que nem todo repórter têm fôlego ou tempo para sequer tentar. Vasculhou dezenas de livros e calhamaços acadêmicos em abominável PDF, para armar as peças básicas desse quebra-cabeça essencial do século XXI em capítulos que se pode ler na cama ou no aperto de uma poltrona de avião, enquanto lá fora as turbinas vão enchendo a atmosfera terrestre de mais uma boa dose de CO2.</p>
<p>Sim, ele cobriu de oito da manhã às dez da noite a conferência do ano passado. Alugou para isso um quarto-e-sala numa Copenhague fria e superlotada. Encarou, de ponta a ponta, aquele fiasco político que, a seu ver, tornou irreversível a marcha forçada para um acordo internacional que adapte a economia mundial ao planeta – em vez de insistir em fazer o contrário.</p>
<p>Com sua mulher, que modéstia à parte é a jornalista Miriam Leitão, ele compôs sem dúvida o maior time de repórteres que o Brasil já mandou em qualquer tempo a um foro de meio ambiente. O dia-a-dia de Copenhague está todo lá, assim como seus bastidores. Mas o melhor do livro de Sergio Abranches é condensar num texto rápido tudo sobre esse tal do aquecimento global que provavelmente você teria medo de perguntar a um jornalista e, mais ainda, a um cientista político.</p>
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		<title>O futuro não será uma eterna era Lula</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 10:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>

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		<description><![CDATA["Estimativas de Oferta de Recursos Hídricos no Brasil em Cenários Futuros de Clima 2015-2100" não é, como se vê, um título para dar manchete. Mas anuncia mudanças na oferta de água que farão o Brasil mais cedo ou mais tarde encarar um futuro com menos hidrelétricas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Gotas_0369.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-660" title="Gotas_0369" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Gotas_0369.jpg" alt="" width="425" height="251" /></a></strong></p>
<p><strong>N</strong>um debate que faz tempo a estridência enrouqueceu, a voz do agrônomo Eneas Salati soa como uma pausa de orquestra em aberturas sinfônicas. Chama atenção pelo silêncio. Ele tem algo a declarar sobre os efeitos da desordem climática numa política energética que joga todas as fichas nas hidrelétricas. Pede para isso “alguns minutos”.</p>
<p>E trata de resumir com o mínimo de retórica as “Estimativas da Oferta de Recursos Hídricos no Brasil em Cenários Futuros de Clima 2015-2100”, cujo título já é um sinal de que não veio ao mundo para fazer barulho. O documento de 76 páginas é, em si, um extrato de prognósticos internacionais e dados dez especialistas, aninhados em redes de computadores, levaram mais de um ano mastigando.</p>
<p>Concentrado em gráficos à primeira vista cabalísticos e traduzido no tom pausado e meio inaudível de Salati, leva-se algum tempo para notar que o relatório é bombástico. Avisa que está passando a  hora de se pensar a sério em alternativas energéticas, “tais como solar, eólica, das marés e biomassa”.</p>
<p>Ao contrário do que prometem as políticas vigentes, as águas tendem a rolar daqui ao fim do século de um jeito que, como não disse ainda o presidente Lula, mas no caso poderia dizer com toda a razão, nunca aconteceu antes na história do Brasil. E isso altera em doses variadas e contraditórias as 12 grandes bacias hidrográficas que oficialmente dividem o território brasileiro.</p>
<p>No Tocantins, o  rio dos grandes investimentos hidrelétricos, a vazão ameaça chegar ao ano 2.100 com a metade da média que o rio manteve entre as décadas de 1960 e 1990. Na Amazônia, a perda vai de 30 e 40%. No São Francisco, o rio da transposição corre o risco de virar um terço do atual em 2040.</p>
<p>Isso significa que a bacia do São Francisco, “onde se concentra grande parte da fruticultura de exportação nacional”, tem chances de passar de lugar “seco e sub-úmido com pouco ou nenhum excesso de água para semi-árido”. O sertão, pelo visto, não vai mesmo virar mar. Mas o mar do Atlântico Leste ameaçar lamber o sertão, à medida que ele se aproximar da costa.</p>
<p>“São cenários”, adverte Salati. Ou seja, hipóteses formuladas com rigor científico em cima de informações e métodos disponíveis. Lidam principalmere com previsões sobre os efeitos regionais do clima no regime de chuvas e na perda de água por evaporação. Podem mudar, se novos dados rolarem na mesa. O resto, só com horóscopo ou jogo de búzios.</p>
<p>Por enquanto, o que se vê é um Brasil com menos sombra e água fresca. Num mundo mais quente, a evaporação devolverá ao céu uma percentagem cada vez maior das chuvas que ainda caírem. No São Francisco, essa perda está orçada em 83%. Na do Paraguai, que corta o Pantanal Matogrossense, 84%. Haja mata ciliar para segurar esses rios. Mas não é nisso que o país está investindo.</p>
<p>O relatório é pontuado por ressalvas. Recomenda, na conclusão,  mais e melhores estudos do problema daqui para a frente. Adverte que “o nível de incerteza ainda é grande em relação ao que de fato possa acontecer”.</p>
<p>Salati está longe de ser candidato ao estrelato em manchetes catastrofistas. Pessoalmente, acredita que as previsões científicas servem antes de mais nada para evitar que as incertezas aconteçam.</p>
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