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	<title>Marcos Sá Correa &#187; Mata Atlântica</title>
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	<description>Colunismo a Quilo</description>
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		<title>Pra não falar de campanha eleitoral</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/09/pra-nao-falar-de-campanha-eleitoral/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 16:08:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Mata Atlântica]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de jogar a toalha, convém se mirar o exemplo do físico Germano Woehl que, em vez de esperar pelas mudanças da política brasileira, resolveu pegar a unha o destino de um fragmento florestal na serra de Santa Catarina e há sete anos o mantém de pé, com denúncias e protestos. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Germano.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1158" title="Germano" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Germano.jpg" alt="" width="409" height="264" /></a></p>
<p><strong>O</strong> físico Germano Woehl Júnior escreve de Guaramirim para dizer que “conseguimos” adiar por sete anos a morte de uma restinga no litoral catarinense. “Nós” quem? Ele sempre põe os verbos na primeira pessoa do plural, o que dá ao destinário a ilusão de que faz parte da história. Antes de ler o resto, qualquer acha que conseguiu evitar algum estrago em lugares que mal consegue ver no mapa, sem a providencial ajuda do Google Earth.</p>
<p>Basta abrir a mensagem para constatar que “nós” é ele. Ou melhor, ele e a mulher, Elza Nishimira Woehl, que divide com o marido essas pequenas vitórias solitárias, exclusivas de quem nasceu para investir dinheiro e energia em causas que, soltas na correnteza das opiniões majoritárias, estariam, por definição, perdidas.</p>
<p>Não poderia ser menos majestático o plural de Woehls. Resume-se ao que os dois, sozinhos, conseguem fazer – como salvar a tal restinga entre Guaramirim e Araquari. É um tipo de floresta que lembra em miniatura a amazônica, “inundada a maior parte do ano, com árvores gigantes como o Olandi e o ipê caixeta” que, como o breve texto não se esquece de informar, também atende pelo apelido de “pau-tamanco”, como convém a uma espécie “explorada predatoriamente para fazer tamanco, artesanato, lápis”.</p>
<p>O fragmento é modesto. Mas ali o casal encontrou três anfíbios endêmicos, que aparentemente não existem em outros lugares dio estado. E sete anos atrás a mata estava condenada ao corte raso, por fazendeiros empenhados em abrir pastos. Coisa de gente grande. Um deles, é dono do maior frigorífico de Jaraguá do Sul, o centro industrial da região.</p>
<p>Denunciá-los aos órgãos ambientais e ao ministério público foi uma dessas imprudências que beiram a maluquice. Os Woehl foram até amaeçados por capangas. Mas levaram para lá os fiscais. Com os fiscais vieram as autuações. E um promotor de Araquari acabou comprando a briga. Por enquanto, a restinga venceu.</p>
<p>O e-mail veio contar que, comparando outro dia, por acaso, as imagens de satélite da época com as do ano passado, os Woehl notaram que o lugar mantem o mesmo desenho que tinha em 2002. Como eles não pregam prego sem estopa, as duas fotografias foram anexadas à mensagem. A mata parece mesmo transborbar o antigo contorno. Mas Germano não é marqueteiro para abusar de maquiagem. A parte que mais cresceu, ele avisa, “é de pinus”. Mas houve um trecho pequeno “que o dono de uma fazenda abandonou”. E ali parece estar ocorrendo a regeneração espontânea da floresta nativa.</p>
<p>E daí? Daí que Germano pode ser, nesta campanha eleitoral, o candidato que faltava para nos lembrar que, sob as borbulhas superficiais que chamamos política, jaz o leito duro do trabalho cotidiano e das obras anônimas. Aquilo que o historiador Fernand Braudel, matutando num campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial, batizou de “História Imóvel”. É aquela não não dá notícia. Mas também molda o futuro.</p>
<p>Principalmente quando conta com a obstinação dessa gente vinda da lavoura. Elza colheu algodão no Paraná até os 17 anos. Germano entregava leite de porta em porta e puxava enxada quando resolveu, aos 11 anos, ser “pesquisador”. Estudando só em escolas públicas, chegou ao doutorado na Universidade de Campinas com uma tese sobre o comportamento do átomo de cálcio congelado sob raio laser e ao emprego no laboratório de Fotônica do Centro Técnico Aeroespecial de São José dos Campos.</p>
<p>Desde então, ele poupa salários <a href="http://www.ra-bugio.org.br/areasprotegidas.php?id=13">para comprar matas na serra de Santa Catarina</a>. Quer preservar imagens de infância ameaçadas de sobreviver só em sua lembrança. Criou, com isso, três reservas na região. Milhares de alunos das escolas locais costumam visitá-las todos os anos, para conhecer a terra em que quase não nasceram.</p>
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		<title>A mata atlântica passeou por Viena</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2009/12/31/a-mata-atlantica-passeou-por-viena/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 18:27:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia de Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Mata Atlântica]]></category>

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		<description><![CDATA[Mil desculpas. Mas uma exposição de fotografias da mata atlântica num museu de Viena explica, mesmo se não justifica, o sumiço deste aprendiz de bloqueiro em dezembro. É que isso também ele estava tentando fazer pela primeira vez. E se atrapalhou todo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center; "><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/A-Rio-Paca-Grande-Bocaina_0038.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-407" title="A Rio Paca Grande, Bocaina_0038" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/A-Rio-Paca-Grande-Bocaina_0038.jpg" alt="A Rio Paca Grande, Bocaina_0038" width="496" height="331" /></a></p>
<p><strong>E</strong>ste aprendiz de blogueiro está lhes devendo uma explicação. Em dezembro, assim que saíram a primeira versão dessas páginas – na verdade, preâmbulos <em>on-line</em> do livro sobre o Parque Nacional do Iguaçu, que sairá desta incubadeira ao longo de 2010 – os ensaios do blog entraram na muda. Longa muda, e fora de época. Passaram três semanas em silêncio.</p>
<p>Isso deve ser pecado grave, na cartilha blogueiros. Mas esta é uma tentativa tardia de dividir a culpa com a montagem de uma exposição de fotografias de natureza no <a href="http://www.brasilemb.at/fotos/marcossa/page1.htm ">MOYA, </a>um museu de Viena onde a Embaixada do Brasil quis mostrar aos europeus em dezembro, com pouco texto e muita imagem, que a mata atlântica, por mais depredada que esteja, ainda guarda esplendores naturais que valem uma visita. Fui lá para isso. E a minha inexperiência no ramo fez o resto.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/PC0213931.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-409" style="margin: 5px;" title="PC021393" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/PC0213931-300x224.jpg" alt="PC021393" width="240" height="179" /></a></p>
<p>A idéia era mostrar que, se a mata atlântica lamentavelmente encolheu, nunca foi tão fácil visitá-la. E visitá-l, mesmo com a curiosidadedos leigos, é o primeiro passo para defender o que dela sobrou. Reduzida a fragmentos muitas vezes irrisórios, que se pode atravessar a pé num curto dia de marcha, e cercada em todos os lados por cidades de médio ou grande porte onde se empilham mais de 100 milhões de brasileiros, ela acabou empurrada novamente para mais perto do cotidiano de qualquer pessoa que, no Brasil, se interesse por conhecê-la em pessoa. E, nesses casos, que for a seu encontro verá que ela está viva e vibrante, apesar de tudo. Quem quiser dar uma olhada virtual em amostras do que foi a exposição, <a href="http://www.flickr.com/photos/43228214@N05/show/">clique aqui.</a></p>
<p>A mostra foi <a href="http://www.dc.mre.gov.br/box-02/viena-exposicao-201citatiaia-o-caminho-das">um pequeno tributo à perseverança da natureza</a>, que salvou da perda total e irremediável um patrimônio brasileiro que, desde a noite dos tempos, deu ao país o nome e a identidade que o Brasil conserva até hoje, mesmo perdendo a maior parte da floresta. É quase como se, nesses quinhentos e tantos anos de desperdício, a mata atlântica tivesse dado a volta em seu destino trágico.</p>
<p>Não é mais nem sombra daquela incomensurável “estufa selvagem, desordenada e luxuriante”, que Charles Darwin visitou no Primeiro Império, com o Beagle ancorado no porto do Rio de Janeiro. Uma das expedições de Darwin que marcaram para sempre sua lembrança do Brasil foi às encostas da Gávea – onde, por sinal, matou um macaco e aprendeu que, aqui, quando a caça ficava presa em galhos muitos altos, derrubava-se a árvore inteira como recolhê-la.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/E-Mantodea-8845.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-410" style="margin: 5px;" title="E Mantodea 8845" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/12/E-Mantodea-8845-300x198.jpg" alt="E Mantodea 8845" width="270" height="178" /></a></p>
<p>Pouco resta hoje aquela floresta contínua que, aos olhos dos europeus, fossem eles colonizadores ou visitantes, manteve as portas do sertão bravio fechadas a poucos passos das praias nesta parte do Novo Mundo. A floresta sem fim foi cassada, cortada, queimada e riscada do mapa em 93% de sua extensão original. Mas o que ficou é um tesouro, tornado ainda mais precioso pela raridade que conquistou sem querer e artificialmente.</p>
<p>Ninguém descreveu melhor esse reatalhamento do que a primatóloga americana Karen Strier, ao estudar os muriquis de Caratinga, em Minas Gerais, confinados nas reservas florestais que providencialmente o fazendeiro Feliciano Abdalla resolveu conservar para os macacos. Strier chegou aqui convencida de que estaria embrenhada na selva. Mas um dia chegou ao topo de um morro de 700 metros. E o que avistou dali ensinou-lhe que aquela floresta era importante exatamente por ser minúscula.</p>
<p>“Além dela, para todos todos os lados, a floresta terminava bruscamente, substituída por uma paisagem árida e erodida”, ela escreveu en seu livro – belo livro, por sinal – <strong>Faces in the Forest. </strong>“A floresta era uma ilha, rica de vidas desconhecidas, por estudar, incrivelmente belas”. O resto, era o deserto penosamente construído pelo engenho humano.</p>
<p>E  Feliz Ano Novo!</p>
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