Rotina de funcionário público é a arte de contar as horas que faltam para o fim do expediente. Certo? Errado. Jorge Pegoraro, o chefe do parque nacional do Iguaçu, deu um jeito de esticar os seus dias como fotógrafo de natureza.
Há um ruído característico de animais esquivos correndo no mato que acorda os instintos de caçador até no mais pacíficista dos fotógrafos de natureza. E aquele parecia aos ouvidos ser um bicho muito especial.
O primeiro sinal da primavera foi a volta dos andorinhões às cataratas. Eles vieram antes da estação. Retomaram seus postos nas rochas a prumo. E, no céu, o lugar dos intermináveis poentes vermelhos, por obra e graça do ar seco e opaco das queimadas.
É época de acasalamento dos surucuás, os pássaros mais vistosos e discretos da temporada. Seu canto em surdina está em todo parte. E seu vulto imóvel também. Mas um casal resolveu fazer ninho bem diante da janela, na sede do parque.
A queda das folhas nas árvores mais altas abriu alas na floresta para o desfile dos bandos de macacos-pregos, com saltos espetaculares e arrastões irresistíveis, em que parecem dispostos a comer tudo o que encontram.
"Floresta Estacional Semidecídua" pode dizer tudo aos botânicos, mas diz pouco aos leigos, até eles terem a chance de acompanhar, passo a passo, suas mudanças diárias, quando o frio e as estiagem chegam a Iguaçu.
O que fazer com uma fotografia de borboletas, moscas coloridas e berousos variados disputando o privilégio de pousar num excremento? Os biólogos americanos Adrian Forsyth e Kenneth Miyata deram há tempos a resposta em Tropical Nature.
Duas onças-pintadas posaram para as câmeras na noite de segunda-feira, marcando no Iguaçu a volta dos irmãos que até um mes atrás pareciam estar em toda parte ao mesmo tempo. A boa notícia é que eles cresceram. A má, que ainda há caçadas no parque. De onça, inclusive.
Está acabando um mês de maio espetacular no Parque Nacional do Iguaçu. O rio estava cheio, o clima ameno, o céu mais colorido ao entardecer e a mata cheia de frutas tirou os animais da sombra. É o tipo da coisa para deixar saudades
Assim que saiu o último ônibus, o macaco-prego velho de guerra atravessou o asfalto da BR-469. Podia ser pura coincidência. Mas ele deu a impressão de saber que estava encerrado o horário de visitação no parque nacional do Iguaçu. E o território voltava ser de bichos como ele.
Fez bem. Não faz tanto tempo assim que [...]
segunda-feira, janeiro 10, 2011
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