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	<title>Marcos Sá Correa &#187; Energia</title>
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	<description>Colunismo a Quilo</description>
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		<title>O futuro não será uma eterna era Lula</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 10:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança Climática]]></category>

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		<description><![CDATA["Estimativas de Oferta de Recursos Hídricos no Brasil em Cenários Futuros de Clima 2015-2100" não é, como se vê, um título para dar manchete. Mas anuncia mudanças na oferta de água que farão o Brasil mais cedo ou mais tarde encarar um futuro com menos hidrelétricas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Gotas_0369.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-660" title="Gotas_0369" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/03/Gotas_0369.jpg" alt="" width="425" height="251" /></a></strong></p>
<p><strong>N</strong>um debate que faz tempo a estridência enrouqueceu, a voz do agrônomo Eneas Salati soa como uma pausa de orquestra em aberturas sinfônicas. Chama atenção pelo silêncio. Ele tem algo a declarar sobre os efeitos da desordem climática numa política energética que joga todas as fichas nas hidrelétricas. Pede para isso “alguns minutos”.</p>
<p>E trata de resumir com o mínimo de retórica as “Estimativas da Oferta de Recursos Hídricos no Brasil em Cenários Futuros de Clima 2015-2100”, cujo título já é um sinal de que não veio ao mundo para fazer barulho. O documento de 76 páginas é, em si, um extrato de prognósticos internacionais e dados dez especialistas, aninhados em redes de computadores, levaram mais de um ano mastigando.</p>
<p>Concentrado em gráficos à primeira vista cabalísticos e traduzido no tom pausado e meio inaudível de Salati, leva-se algum tempo para notar que o relatório é bombástico. Avisa que está passando a  hora de se pensar a sério em alternativas energéticas, “tais como solar, eólica, das marés e biomassa”.</p>
<p>Ao contrário do que prometem as políticas vigentes, as águas tendem a rolar daqui ao fim do século de um jeito que, como não disse ainda o presidente Lula, mas no caso poderia dizer com toda a razão, nunca aconteceu antes na história do Brasil. E isso altera em doses variadas e contraditórias as 12 grandes bacias hidrográficas que oficialmente dividem o território brasileiro.</p>
<p>No Tocantins, o  rio dos grandes investimentos hidrelétricos, a vazão ameaça chegar ao ano 2.100 com a metade da média que o rio manteve entre as décadas de 1960 e 1990. Na Amazônia, a perda vai de 30 e 40%. No São Francisco, o rio da transposição corre o risco de virar um terço do atual em 2040.</p>
<p>Isso significa que a bacia do São Francisco, “onde se concentra grande parte da fruticultura de exportação nacional”, tem chances de passar de lugar “seco e sub-úmido com pouco ou nenhum excesso de água para semi-árido”. O sertão, pelo visto, não vai mesmo virar mar. Mas o mar do Atlântico Leste ameaçar lamber o sertão, à medida que ele se aproximar da costa.</p>
<p>“São cenários”, adverte Salati. Ou seja, hipóteses formuladas com rigor científico em cima de informações e métodos disponíveis. Lidam principalmere com previsões sobre os efeitos regionais do clima no regime de chuvas e na perda de água por evaporação. Podem mudar, se novos dados rolarem na mesa. O resto, só com horóscopo ou jogo de búzios.</p>
<p>Por enquanto, o que se vê é um Brasil com menos sombra e água fresca. Num mundo mais quente, a evaporação devolverá ao céu uma percentagem cada vez maior das chuvas que ainda caírem. No São Francisco, essa perda está orçada em 83%. Na do Paraguai, que corta o Pantanal Matogrossense, 84%. Haja mata ciliar para segurar esses rios. Mas não é nisso que o país está investindo.</p>
<p>O relatório é pontuado por ressalvas. Recomenda, na conclusão,  mais e melhores estudos do problema daqui para a frente. Adverte que “o nível de incerteza ainda é grande em relação ao que de fato possa acontecer”.</p>
<p>Salati está longe de ser candidato ao estrelato em manchetes catastrofistas. Pessoalmente, acredita que as previsões científicas servem antes de mais nada para evitar que as incertezas aconteçam.</p>
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