De quatro em quatros anos, o réveillon se confunde no Brasil com a posse de novos governos. Por isso mesmo, está mais do que na hora de festejar o fato de que nem tudo neste planeta se resolve lá em cima. Muita coisa pode acontecer cá embaixo, enquanto os políticos se divertem, fazendo o possível para o mundo continuar o mesmo.
Em "Jaguar", o biólogo Evaristo Eduardo de Miranda e a jornalista Liana John conseguem nos dar saudades antecipadas desse bicho que continua por aí, mas deixou de ser há muito tempo "O Rei das Américas" do subtítulo, que o belo livro prudentemente reservou às páginas internas.
Manu, uma corça encontrada no parque do Iguaçu com dois dias de idade, depois de atacada por um predador, resolveu aprender sozinha a viver no mato. E o os biólogos que a adotaram só podem lhe dar apoio.
Às vésperas de fazer 72 anos, o Iguaçu ganha sua primeira pesqiuisa de icitiofauna logo abaixo das cataratas e descobre, logo na primeira rodada de estudos, que é parque nacional também debaixo d'água.
De onde vem a palavra "meandro", tão universal que se encaixa naturalmente no vocabulário de um guia de traços indígenas no rio Iguaçu? De um velho desastre ambiental que o mundo esqueceu.
Antes de jogar a toalha, convém se mirar o exemplo do físico Germano Woehl que, em vez de esperar pelas mudanças da política brasileira, resolveu pegar a unha o destino de um fragmento florestal na serra de Santa Catarina e há sete anos o mantém de pé, com denúncias e protestos.
O futuro de Serra Grande, no litoral da Bahia, parecia garantido. Seria uma experiência de desenvolvimento social e econômico baseado na conservação de sua natureza excepcional. Um trem de minério atropelou-o.
Trazem más notícias os dados coletados em dois meses de andanças pelo rádio-colar instalado num filhote de onça no Iguaçu: Pança gosta de lugares cheios de gente e de animal doméstico solto onde não deveria.
Correm em raias paralelas em Brasília reuniões com a Unesco para garantir, entre os assuntos, o títuto de Patrimônio Nacional da Hiumanidade para o Parque do Iguaçu e um novo projeto para cortá-lo com uma nova versão da velha Estrada do Colono.
Nada mais desnortente do que estar num parque nacional, onde as notícias e até os boatos sobre aparições de onças corre pelas picadas como sinos do advento, e saber que bem aqui ao lado havia uma operação comercial para liquidá-las pela caça clandestina.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
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