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	<title>Marcos Sá Correa &#187; Arborização</title>
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	<description>Colunismo a Quilo</description>
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		<title>Blecaute veio com tudo no carnaval</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 21:32:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Apagões]]></category>
		<category><![CDATA[Arborização]]></category>

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		<description><![CDATA[Num país que desde cedo se acostumou a culpar as árvores por tudo, de ataques de índios a surtos de febres tropicais, a história da Eletronorte sobre o galho que cortou o fornecimento de eletricidade em dez estados foi a maior alegoria desse carnnaval.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Tempestade_5625.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-571" title="Tempestade_5625" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Tempestade_5625.jpg" alt="" width="454" height="298" /></a></p>
<p><strong>A</strong> melhor fantasia deste carnaval foi, com sombras de dúvida, a da Eletronorte. Ela saiu de <strong>Árvore do Apagão</strong>. Guarnecida com os mais preciosos penduricalhos técnicos. Costurada com fios de alta tensão. Cintilando com as luzes que piscaram em dez estados para anunciar sua chegada, do Norte ao Centro-Oeste. Um luxo só.</p>
<p>Foi tempo em que o máximo de Blecaute com que se podia contar no Carnaval era o cantor Otávio Henrique de Oliveira, o de “Chegou o General da Banda, ê, ê”. Agora temos para nos embalar a festa um enredo muito mais imaginoso &#8211; o do galho que atravessou o caminho da rede elétrica entre Colinas e Miracema, no Tocantins, conjurando forças ocultas a desligar em série três linhões e engolir 3.600 megawatts no Nordeste, “ê, ê”.</p>
<p>Quem não entendeu muito bem a explicação empresa só pode estar se embriagando demais com firulas técnicas. Nem os engenheiros eletricistas e outros especialistas na matéria levaram a sério a conversa da Eletronorte. Alegaram que as linhas de transmissão geralmente correm sobre um vasto leito de devastação proposital e sistemática. Logo, se havia árvore sob as torres do Tocantins, o problema não seria o galho sabotador, e sim o descuido das rotinas de manutenção.</p>
<p>Daí para insinuar que há qualquer coisa bruxuleando no sistema que gerou a fama da administradora Dilma Rousseff no ministério das Minas e Energia, e agora alimenta sua candidatura à presidência da República, era um pulo. Mas no Carnaval só se pula por bons motivos. A hora é de reconhecer que a história da Eletronorte acertou em cheio no quesito alegoria. Culpar a árvore foi um achado sociológico.</p>
<p>As árvores, no Brasil, são as suspeitas de sempre, como diria o capitão Louis Reanult, se isto aqui fosse Casablanca. O país está sempre pronto a acreditar que as árvores. mais cedo ou mais tarde, vão lhe aprontar alguma, quebrando calçadas, sujando jardins com folhas mortas, manchando de flores a pintura dos carros e, claro, caindo nos fios para provocar pequenos apagões – porque os grandes só as operadoras do sistema sabem fazer.</p>
<p>A má-vontade é tanta, tamanha e tão basta que o brasileiro típico “quase não sabe os nomes das árvores, das palmeiras, das plantas nativas da região em que vive”, segundo o sociólogo Gilberto Freyre, como sempre traduzindo as excentricidades nacionais para o melhor português possível. Certa vez, lá vão quase 90 anos, ele comparou os alarmes contra o desmatamento a “gritos carnavalescos”, que se ouvem como convites a não fazer nada.</p>
<p>A nota da Eletronorte, como um todo samba-enredo que se preza, enrolou-se num mito popular e consagrado, desde que os primeiros povoadores acreditavam que atrás de cada tronco havia índios para atacar suas aldeias, feras para comer seu gado ou doenças tropicais para derrubá-los definitivamente nas redes em que seriam enterrados.</p>
<p>Os europeus que vieram ao Brasil no século XIX estranharam a deliberada aridez das cidades brasileiras, com a selva dando sopa tão perto de seus subúrbios. O sol batia em cheio sobre suas ruas sem calçamento, porque à sombra de toda copa haveria perigos inomináveis. Por essas e outras, “limpar” ainda é o nome que se dá no país a qualquer obra de motosserra. E tudo indica que é o que, passado o carnaval, vai acontecer no Tocantins.</p>
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