<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marcos Sá Correa &#187; Água</title>
	<atom:link href="http://marcossacorrea.com.br/tag/agua/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://marcossacorrea.com.br</link>
	<description>Colunismo a Quilo</description>
	<lastBuildDate>Sun, 27 Mar 2011 14:59:33 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Nem vindo ao Brasil o Butão fica perto</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/25/nem-visitando-o-brasil-o-butao-fica-perto/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/25/nem-visitando-o-brasil-o-butao-fica-perto/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 18:10:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Água]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Populações Tradicionais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=336</guid>
		<description><![CDATA[Os brasileiros perderam nos últimos dias uma chance de conhecer um dignitário estrangeiro mais exótico e mais útil que o presidente do Irã. O primeiro-ministro do Butão andou por aqui e pouca gente notou o que isso quer dizer. E quer dizer muita coisa. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Butão.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-339" style="margin: 5px;" title="Butão" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Butão.jpg" alt="Butão" width="330" height="330" /></a>O</strong> país perdeu tanto tempo vendo os presidentes Lula e Ahmadinejad torturarem intérpretes para abrir a conexão português-inglês-farsi, que não deu a mínima a um visitante muito mais exótico, que andou por aqui quase ao mesmo tempo que o iraniano. No caso, o primeiro-ministro do Butão Lyongpo Jigme Thinley.</p>
<p>Ele sim, tinha assunto para encher jornais, pelo menos nos segundos cadernos. Convidado a testar em Foz do Iguaçu um carro elétrico desenvolvido pela Fiat em parceria com Itaipu, pegou o volante na sede da usina e só o largou na sede do hotel.</p>
<p>Em outas palavras, sem ter nada a esconder, divertiu-se placidamente. Almoçou no bandejão classe A da empresa. Adorou o canal da piracema, que promove a migração de peixes através da barragem. Passeou pela hidrelétrica, alegando que, dispondo de água a rodo, um dos pratos fortes da exportação butanesa é a energia que vende à Índia e à China. No hotel Rafain, deslizando entre o elevador e o saguão de quimono de seda e sandálias no pé, dava a impressão de estar sempre lançando a última palavra em moda para sauna ou piscina.</p>
<p>Mas ele veio ao Brasil ensinar como se administra um país pelos preceitos da <a href="http://http://www.experiencefestival.com/gross_national_happiness">Felicidade Interna Bruta</a>. A idéia brotou anos atrás de uma das monarquias mais isoladas da terra. O Butão não passa de um país com pouco mais de 38 mil quilômetros quadrados, enrugado por montanhas com mais de sete mil metros de altitude e coberto florestas originais em quase 65% de seu território. É habitado por raridades, como o leopardo das neves, elefantes asiáticos, mais de 50 espécies de rododendros e 700 de pássaros e orquídeas inumeráveis. Mas tem menos de 700 mil habitantes.</p>
<p>É o cenário da moda. <strong>Buthan, a Visual Odyssey</strong>, de Michael Hawlley, mereceu uma edição de luxo com 58 quilos de peso, 40 mil fotografias e as dimensões de uma mesa para seis comensais. <a href="http://http://www.amazon.com/Bhutan-Visual-Odyssey-Himalayan-Kingdom/dp/B00016CAZ6">Sai por 30 mil dólares</a>. Mas tem versão barata, por 50. Dizem que foi de lá que no século passado o escritor inglês o escritor inglês James Hilton tirou a idéia de Xangrilá.</p>
<p>O fato é que tudo o que se imagina do Nepal o Butão tem. Menos turismo de massa. Em 2008, ele acolheu 21 mil turistas, que só podem visitá-lo pelas mãois de um guia da agência oficial. A televisão e a internet só entraram legalmente no país há uma década, e com recomendações de uso moderado. Sua economia não é lá essas coisas. A moeda local se ancora na rúpia rúpia indiana. Sua principal indústria é a produção artesanal de peças religiosas. Suas relações diplomáticas com os Estados Unidos, a Rússia e outras potências se fazem via Nova Déli.</p>
<p>O Butão tem uma longa história de guerras, golpes e até impeachments monárquicos. Mas anda cada vez mais quieto. Sua Felicidade Interna Bruta está entregue a um rei que ainda não fez 30 anos. E a um conselho que aplica a receita da FIB a partir de 72 indicadores sociais, onde têm peso o tempo de lazer de cada cidadão e sua bem-aventurança ambiental &#8211; <a href="http://http://www.laurencebrahm.com/consensus-communities/gross-national-happiness">reduzido a um decálogo de exportação por seu apóstolo internacional Laurence Brahm</a>. O fato é que, lá, o noticiário policial, à falta de assuntos mais trepidantes, registra queixa de vizinhos por briga de cachorros.</p>
<p>Quando o FIB surgiu, o jornal <strong>Financial Times</strong> tratou-o como o roteiro de uma viagem mística em marcha a ré. Mas ultimamente as pesquisas de opinião pública atestam que só 3% dos butaneses se declaram infelizes. Há três anos, a revista <strong>Business Week</strong>, apoiada numa enquete da universidade de Berkeley, pôs o Butão estava num honroso oitavo lugar entre os países mais felizes do mundo. Perdia para a Dinamarca, a Finlândia e a Suécia, sem dúvida. Mas, até na categoria dos reinos-encantados, ganhava de Luxemburgo. As economias mais fortes do mundo, montadas em PIBs gigantescos, vinham muito atrás, comendo a  poeira do crescimento acelerado, que na época elas mesmas levantavam.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/25/nem-visitando-o-brasil-o-butao-fica-perto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No meio da semana passou o Tietê</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/11/no-meio-do-caminho-tinha-o-tiete/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/11/no-meio-do-caminho-tinha-o-tiete/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 15:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Água]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=284</guid>
		<description><![CDATA[Soam tão vagos os índices que o governo Lula discute entre si como se negociasse com diplomatas estrangeiros em Copenhague, que é melhor ficar com um assunto que tem começo, meio e fim: o Tietê. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Tietê_2284.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-285" style="margin: 5px;" title="Tietê_2284" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Tietê_2284-230x300.jpg" alt="Tietê_2284" width="230" height="300" /></a>Quando o governo brasileiro  senta tantos ministros para negociar entre si propostas para levar à Dinamarca como se já estivessem lá, discutindo com diplomatas estrangeiros na COP15, é hora de procurar notícias por aqui mesmo mais concretas. No caso, as notícias chegaram providencialmente em forma de livro. Um livro leve, bonito e otimista sobre um assunto que é quase nome feio: o Tietê.</p>
<p>Quem passa de má vontade por ele nos engarrafamentos de São Paulo, fazendo o possível para não vê-lo e, sobretudo, não aspirá-lo, deve achar que rio urbano só é tema ambiental que se preze nas pontes do Sena, nos parques novaiorquinos da beira do Hudson ou, para não ficar muito longe das atenções mundiais, nos canais de Copenhague.</p>
<p>Mas em <strong>Tietê, um rio de várias faces</strong> o jornalista Thiago Medaglia e o fotógrafo Valdemar da Cunha fizeram o contrário. Olharam o Tietê como se ele fosse um caso interessante. E até um cenário fotogênico. Todos os seus piores problemas estão lá – a poluição tóxica, o esgoto doméstico, a canalização sepulcral e o medonho lixo que lhe entope a calha imunda. Mas nada disso impede que se encontrem em suas páginas famílias de capivaras fitando a alva cordilheira de edifícios cada vez mais altos nas avenidas marginais. Ou que, no caminho de Pirapora, o rio passe por uma serra povoada por 652 espécies de borboletas. E que em Barra Bonita atravesse eclusas que são, literalmente, o ponto alto de cruzeiros fluviais em barcos lotados de turistas.</p>
<p>Tudo isso para botar na perspectiva do Tietê – ou seja, a de seu próprio curso, da nascenmte à foz &#8211; a frase de um diretor do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo, que deve ter incomodado particularmente o repórter, porque figura entre aspas na primeira linha do livro: “O Tietê não é mais um rio. É um canal de engenharia”.</p>
<p>E ele é mesmo uma escadaria de barragens, descendo da Serra do Mar e correndo para longe do Atlântico, rumo ao interior paulista, até desaguar no rio Paraná, mil e tantos quilômetros a oeste. É por causa desse curso que ele foi, em priscas eras, o rio das entradas e bandeiras. E hoje é uma hidrovia onde barcaças levam quase cinco milhões de toneladas de soja, cana-de-açúcar ou material pesado de construção pelo Brasil adentro.</p>
<p>Em outras palavras, do ponto de vista estritamente utilitário, o Tietê está em plena atividade, irrigando negócios e confuzindo pioneiros, como sempre. Isso após séculos de exploração predatória e avarenta, com o mínimo de  investimento em conservação. Suas nascentes em Salesópolis só foram oficialmente localizadas na década de 1950. Viraram parque estadual há 13 anos. Na capital, seu trecho mais vistoso é um antigo lixão, promovido a “parque ecológico” para 50 mil visitantes, em média, nos fins de semana.</p>
<p>Ao longo do rio, cada população ribeirinha tem o Tietê que pode ou que merece. Em Pirapora do Bom Jesus, onde a correnteza transforma numa nata de espuma suspeita as toneladas de detergente diluídas em suas águas, Medaglia encontrou um menino de nove anos que compara esse brinde da poluição a “algodão doce com canela”.</p>
<p>Rio abaixo, surge impávido em sua cabine de comando o tarimbado barqueiro Hélio Palmesan. De tanto transportar pessoas em viagens de recreio pelo médio Tietê, ele acabou no timão do San Marino, um barco próprio, com poltronas para 700 turistas. Em Buritama, a 535 quilômetros da capital, há casas de veraneio e clubes náuticos nas barrancas do rio. Oitocentos pescadores profissionais vivem  dos bagres, pacus e tainhas que, sabe lá Deus como, o rio ainda sustenta. Ao redor das hidrelétricas, as barragens formam praias e as várzeas inundadas, reservas de fauna nativa.</p>
<p>Se as autoridades brasileiras têm tantas dúvidas sobre o que o progresso é capaz de fazer com suas percentagens inevitáveis de perdas e ganhos, melhor do que ensaiar vagos índices de CO2 para o gargarejo de  Copenhague é provar aqui mesmo as licóes do Tietê, em amargas doses de barro fluido.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2009/11/11/no-meio-do-caminho-tinha-o-tiete/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

