<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Marcos Sá Correa &#187; Iguaçu 2010</title>
	<atom:link href="http://marcossacorrea.com.br/category/iguacu/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://marcossacorrea.com.br</link>
	<description>Colunismo a Quilo</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Sep 2010 13:35:48 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A temporada dos guaxes é mais viva</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/10/a-temporada-dos-guaxes-e-mais-viva/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/10/a-temporada-dos-guaxes-e-mais-viva/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2010 12:56:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Fauna]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>
		<category><![CDATA[Primavera]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1175</guid>
		<description><![CDATA[Nem a presença do presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff conseguiu abafar, no começo do mes, a campanha matrimonial dos guaxes, que aos berros tecem seus ninhos nas palmas das jerivás.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9854.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1176" title="Guaxos_MG_9854" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9854.jpg" alt="" width="415" height="272" /></a></p>
<p><strong>O</strong>s guaxes andam tão ocupados com a tecelagem de seus ninhos nas palmas das jerivás que, neste começo de setembro, o presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff conseguiram lotar por dois dias, com suas comitivas, o hotel das Cataratas, sem abafar a voz desses pássaros, em plena campanha de acasalamento.</p>
<p>Eles, sim, sabem se esgoelar sem marqueteiro nem horário gratuito. Qualquer galho lhes serve de palanque, mesmo que seja de cabeça para baixo. Sobretudo, eles cumprem suas promessas antes de serem eleitos. Tudo indica que é um trunfo nupcial decisivo entre os <em>Cacicus haemorrhous</em> a habilidade pegar primeiro a melhor ponta da palmeira, para costurar na palha um ninho pênsil que pareça, ao mesmo tempo, resistente ao vento e mais comprido que o temível bico dos tucanos.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9833.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1177" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Guaxos_MG_9833" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9833.jpg" alt="" width="242" height="363" /></a>Isso é pura especulação de jornalista. Mas, pelo menos nas jerivás do Porto Canoas, no final da trilha das Cataratas, até agora os ninhos mais espaçosos e bem situados abrigavam casais. Continuavam solteiros os retardatários, que se esfalfavam sozinhos para improvisar a instalação de um domicílio modesto lá no alto.</p>
<p>Lá em cima, aparentemente, ficam os barracos dos guaxes. São notoriamente mais acanhados e expostos aos inconvenientes da construção irregular em lugares perigosos. Presume-se que chegue primeiro à ponta das palmeiras os predadores. Sem contar que não há como dobrar aquelas palmas ainda novas, apontadas para o céu, nos arcos elegantes em que se penduram os cestos alongados, típicos dos endereços mais valorizados na confraria dos guaxes.</p>
<p>Pior, só lá embaixo. Junto ao tronco das jerivás pendem, vazios, os ninhos do ano passado. Guaxo nenhum se arrisca a ocupá-los em segunda locação, talvez porque as folhas que lhes servem de alicerces, agora secas, tendem a cair de uma hora para outra, na primeira tempestade.</p>
<p>Os solitários ficam também mais sujeitos que os casados a perder um pedaço de seu patrimônio imobiliário assim que viram as costas para buscar mais fios no mato para tecer seus ninhos. O roubo do material de construção, entre os guaxes, parece comum. Ou natura. Mas provoca brigas ruidosas a até combates aéreos, com manobras que lembram os malabarismos alados da Primeira Guerra Mundial. Só que, no caso, sem baixas a festejar ou lamentar.</p>
<p>São bichos paradoxais, os guaxes. Pássaros negros, porém coloridos, com berrantes bicos <a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9828.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1178" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Guaxos_MG_9828" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxos_MG_9828.jpg" alt="" width="242" height="363" /></a>amarelos, olhos azuis e uma viva mancha vermelha no dorso, que os denuncia à distância, cada vez que abrem as asas. São grandes, porém tímidos, senão pusilânimes. Vivem juntos em comunidades numerosas, porque essa não deixa de ser sua maneira de se esconder.</p>
<p>Sua única reação de defesa é o barulho atordoante que produzem sob ataque. Não resistem a invasões. E muito menos enfrentam inimigos jurados. Preferem a presença humana ao risco de viver num mato povoado por tucanos. Devem confiar na probabilidade estatística de que, juntando muitos ninhos, não haverá tucano que dê conta de todos os filhotes. Se é assim, a vítima pode ser a prole do vizinho, não a sua.</p>
<p>Vivem em condomínio. E todo mundo que já viveu em condomínio sabe que isso é um bate-boca permanente, a serviço da hierarquia e da demarcação de território. Pelo menos é assim a vida social dos corvos, que passou a ser minuciosamente esquadrinhada pelos ornitólogos desde que Konrad Lorenz encontrou dentro daquelas pequenas cabeças negras cérebros capazes de malícias e cálculos assombrosos.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxo_1402.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1179" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Guaxo_1402" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Guaxo_1402.jpg" alt="" width="242" height="363" /></a>Entre os corvos, as disputas essenciais da existência, seja por comida ou reprodução, ficam previamente acertadas entre vencedores e perdedores vitalícios. Essas prerrogativas se derramam em cascata pelo bando abaixo, via parentesco, amizade ou aliança política. Quem é amigo de quem manda manda em quem obedece. E isso vale inclusibe nas menores bicadas cotidianas. Mais ou menos como acontece no país com os empregos públicos, quando um partido chega ao poder.</p>
<p>Dois ou três dias de nariz para cima debaixo das jerivás apinhadas, vendo os guaxes se ajeitar para a próxima primavera, não dá a ninguém o direito de insinuar que, como os corvos, eles convivem estreitamente num regime de castas. Mas não há dúvida que estão empenhados o tempo todo em debates vitais. Há muito tempo o presidente Lula não passava tão perto de uma autêntica corrida pelo poder, quanto em sua breve hospedagem no parque do Iguaçu.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/10/a-temporada-dos-guaxes-e-mais-viva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>De volta ao parque, com mil desculpas</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/09/como-recomeco-de-conversa-mil-desculpas/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/09/como-recomeco-de-conversa-mil-desculpas/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 17:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Estiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>
		<category><![CDATA[Primavera]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1161</guid>
		<description><![CDATA[Como recuperar três semanas de ausência no parque nacional do Iguaçu? Dando baixa no tempo perdido, que só volta no ano que vem, e correndo atrás das novidades da estação, que também passam depressa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Rio-Iguaçu_9793.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1162" title="Rio Iguaçu_9793" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Rio-Iguaçu_9793.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>T</strong>rês semanas de ausência são ausência que não acaba mais no parque nacional do Iguaçu. Pode-se passar um tempão sem notícia fresca do país que fica em volta do parque e se chama Brasil. Na volta, está tudo mais ou menos como se deixou na véspera – a campanha presidencial, a popularidade esfuziante do esfuziante presidente Lula, as enquetes eleitorais.</p>
<p>Aqui, não. Um pedaço do ano que passa é quase um ano inteiro perdido. As coisas mudam da noite para o dia. E só voltam, se voltarem, 12 meses depois. Em agosto, a mata estacional semidecídua estava cheia de folhas no chão e quase toda desfolhada nas copas mais altas.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Andorinhões_9201.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1163" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Andorinhões_9201" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Andorinhões_9201.jpg" alt="" width="274" height="410" /></a></p>
<p>Via-se através da floresta como se ela estivesse transformada numa cortina amarelada e diáfana, pronta para um inverno seco que, a rigor, não veio. Durante a maior parte da estação, pisava em barro vermelho sob um sol que caía no chão da mata, despertando toda a vegetação rasteira que, por falta de luz, hiberna no verão.</p>
<p>Mas o inverno que a mata esperava dá para contar nos dedos. Foram dias esparsos, às vezes gelados, que amanheciam tampados pela névoa e freqüentemente acabavam em tardes esplendorosamente ensoladados.</p>
<p>Em vez do inverno, veio foi uma primavera antecipada, de dias quentes e noites frescas. Pelo visto, as árvores do Iguaçu, reguladas por seus relógios internos, não estão nem aí para as circunstâncias meteorológicas. Porque agora, com a estiagem começando a sério, as cataratas minguando e o rio se encolhendo entre barrancos dia a dia mais altos, a mata está se recobrindo de folhas novas, tenras e luminosas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Jacaré_9779.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1164" title="Jacaré_9779" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Jacaré_9779.jpg" alt="" width="386" height="272" /></a></p>
<p>Em outras palavras, a postos para fabricar oxigênio, bombeando água de um solo finalmente meio ressecado. Dito assim, parece que a paisagem enfeiou-se. Que nada. Se os parágrafos acima soaram assim, só pode ser despeito de quem perdeu irremediavelmete o espetáculo dessa mudança súbita e radical.</p>
<p>Neste monento, o Iguaçu é, antes de mais nada, das serpentes e dos lagartos, que estão saindo de um longo recesso. Dos pássaros que preparam ninhos. Dos andorinhões-velhos que voltaram a varar a muralha d’água para se pendurar a pino nas pedras atrás das cataratas. Das andorinhas-do-rio, que caçam insetos nas corredeiras e acabam de recuperá-las, com o afloramento das rochas submersas. Os patos selvagens. Todos os bichos que andaram meio sumidos estão de regresso, vindos sabe-se lá de onde.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Biguás_9518.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1165" title="Biguás_9518" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Biguás_9518.jpg" alt="" width="403" height="285" /></a></p>
<p>Navegar no Iguaçu ficou mais difícil para os pilotos do Macuco Safari, obrigados a esgueirar os barcos por estreitos corredores de pedra. Mas, com os barrancos escancarados pelo recuo das águas, melhorou muito para os passageiros. Não há mais roteiro que não exclua os jacarés-de-papo-amarelo, invariavelmente coroados por guirlandas de borboletas coloridas, que devem enxergar suas escamas como salinas vivas mas imóveis, à disposição de suas trombas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Jacutinga_9469.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1166" title="Jacutinga_9469" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Jacutinga_9469.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Em resumo, o que se perde em três semanas fora do Iguaçu pode ser inestimável. Mas o que se ganha com a aceleração de sua primavera é assunto demais para este recomeço de conversa. Será o assunto das próximas fotografias e reportagens. E com elas se espera que a ausência seja perdoada.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/09/09/como-recomeco-de-conversa-mil-desculpas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Brasil tem lugar para uma onça?</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/09/o-brasil-tem-lugar-para-uma-onca/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/09/o-brasil-tem-lugar-para-uma-onca/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 13:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Carnívoros]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Onças]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1125</guid>
		<description><![CDATA[Trazem más notícias os dados coletados em dois meses de andanças pelo rádio-colar instalado num filhote de onça no Iguaçu: Pança gosta de lugares cheios de gente e de animal doméstico solto onde não deveria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Onça-PNI_74652.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1128" title="Onça PNI_7465" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Onça-PNI_74652.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>C</strong>ravejado de pontos luminosos, o mapa brilha na tela. Mas o que mais se nota diante do computador é a sombra de dúvidas cruciais, franzindo a jovem testa da bióloga Marina Silva. Da ex-ministra do Meio Ambiente e atual candidata à presidência da República, ela tem o nome, não as certezas inabaláveis. E, como chefe do projeto Carnívoros do Iguaçu, encara neste momento um exemplo concreto de que, na conservação da natureza, as grandes encrencas podem vir até de soluções que pareciam caídas do céu.</p>
<p>No mapa está gravado, como um chão de estrelas, o diário íntimo de Pança, o filhote de onça pintada que virou o assunto do ano no Parque Nacional do Iguaçu. Ele veio ao mundo com um irmão. São dois machos. Não poderia haver melhor cacife do que uma dupla como essa para apostar na perpetuação da espécia, numa região onde talvez não sobrem 25 onças pintadas, em dez mil quilômetros quadrados de retalhos florestais, que vão Paraná ao Rio Grande do Sul, passando pelo Paraguai e pela Argentina.</p>
<p>Pança foi seguido durante dois meses por satélite. <a href="http://marcossacorrea.com.br/2010/05/15/a-primeira-onca-pintada-de-marina/">Ganhou o rádio-colar em maio, ao ser flagrado comendo um bezerro</a>. Deve o apelido à barriga estufada de carne fresca e fácil, predada nos rebanhos que indevidamente confinam com o parque. Dois meses depois, havia crescido tanto que, para não estrangulá-lo, o aparelho foi solto por controle remoto. Estava a exatamente 380 metros do local onde o instalaram. Pudera. Ali, o proprietário cria cabritos soltos no mato, para fingir que tem reserva florestal, sem abdicar ao uso de cada metro quadrado do terreno.</p>
<p>Pança pode estar errado. Mas na ilegalidade estão os donos de sítios, casas de veraneio e fazendas. Atraído pelas tentações da marginalidade geral, Pança ficou a maior parte do tempo zanzando fora do parque. Usava nessas idas e vindas as margens do rio Iguaçu, que têm mata ciliar, embora em vários trechos ela se resuma a um diáfano biombo de árvores. Nessas aventuras mundanas, ele beirou casas de campo e fundos de hotéis. Num deles, o Canzi, usou fartamene como latrina uma construção abandonada no mato. Esteve perto da Vila Carimã, bairro residencial densamente povoado. Correu o risco de subir o rio Tamanduá e bater diretamente na área urbana de Foz do Iguaçu.</p>
<p>Mesmo no interior do parque, <a href="http://marcossacorrea.com.br/2010/06/08/brabeza-de-onca-e-maldade-de-cacador/">ele circulou de preferência junto às áreas de visitação intens</a>a. Tirou vários finos das residências de funcionários, flanou pela sede administrativa, cruzou insistentemente trilhas reservadas ao ecoturismo e tomou gosto pelo hotel das Cataratas – <a href="http://marcossacorrea.com.br/2010/05/08/a-onca-pintada-na-era-do-foguete/">cujos arredores ostentam outra fulgurante constelação de pontos amarelos, assinalando sua presença</a>. O hotel é de cinco estrelas. Mas Pança não refugou a boia dos operários que, trabalhando na reforma das instalações, jogam restos de comida na beira da floresta.</p>
<p>Pança atravessou duas vezes o rio para se internar nas matas do lado argentino. Mas sempre voltou depressa ao Brasil, talvez porque encontrou por lá um território ocupado por macho adulto. No Brasil, praticamente ignorou a área intangível do Iguaçu, onde em princípio deveria encontrar sua floresta cativa.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Com ele vai seu irmão. Os dois ainda não separaram e, onde aparecem, em geral vêm juntos. Dias atrás, foram ao Macuco Safari, cujo programa oferece aos passageiros sustos na forma de corridas no cânion em barcos infláveis, não de encontros com onças pitadas. Os guias trataram de expulsá-los dali com rojões. Fugiram. Mas, no domingo seguinte, estavam lá de volta, como se nada tivesse acontecido.</p>
<p>E, por falar em fim-de-semana, no passado a dupla atravessou o asfalto a uns 300 metros do portão e tomou a estrada de terra qur desce para o barranco do Iguaçu. Pelo rumo, ia visitar mais uma vez o rebanho de cabritos criados ao deus-dará.</p>
<p>Marina Silva tem, portanto, duas onças para devolver ao que restou de vida selvagem no Oeste do Paraná. Talvez, cercando o parque. Porque não dá para educar ao mesmo tempo duas onças e tanta gente mal acostumada a conviver com unidades de conservação.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/09/o-brasil-tem-lugar-para-uma-onca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dois surucuás e uma história sem fim</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/04/dois-surucuas-e-um-caso-sem-fim/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/04/dois-surucuas-e-um-caso-sem-fim/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 16:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Aves]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia de Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1108</guid>
		<description><![CDATA[É época de acasalamento dos surucuás, os pássaros mais vistosos e discretos da temporada. Seu canto em surdina está em todo parte. E seu vulto imóvel também. Mas um casal resolveu fazer ninho bem diante da janela, na sede do parque.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0790-Edit.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1109" title="Macho_0790-Edit" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0790-Edit.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>O</strong>s bichos às vezes dão a impressão de saber que, aqui no Iguaçu, vivem num ambiente de regalias administrativas. Senão, como explicar que, com tanta mata a seu redor, aquele casal de surucuás veio se empoleirar logo nos galhos que ficam bem diante do janelão envidraçado da casa onde mora o diretor do parque nacional.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Fêmea_0756.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1110" title="Fêmea_0756" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Fêmea_0756.jpg" alt="" width="423" height="272" /></a></p>
<p>O surucuá é um pássaro ao mesmo tempo vistoso e discreto. Tem parentesco próximo com o quetzal da América Central, cuja plumagem embasbacou os colonizadores espanhóis com a exuberância iridescente do cocar de Montezuma. Hoje, o quetzal, em si, é ave rara. Mas virou nome de moeda na Guatemala.</p>
<p>O quetzal é um espanto. A palavra, por sinal, quer dizer em língua nativa qualquer coisa como “cauda grande e brilhante”. E lhe valeu, em grego, o cognome científico de <em>Pharomachrus</em>, que também se refere a seu “manto longo”. Mas, sem a fantasia de luxo carnavalesco do primo rico, o surucuá pertence a uma família tão colorida, a <em>Trogon</em>, que os nomes populares de suas espécies acabam geralmente em apostos como &#8220;do-peito-azul&#8221; ou &#8220;da-barriga-dourada&#8221;.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0769.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1111" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; margin-left: 2px; margin-right: 2px;" title="Macho_0769" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0769-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Ele chama tanta atenção que, dias atrás, a foto de um surucuá neste blog mereceu um comentário de leitor diferente – no caso, uma leitora que escreviaespecificamente para saber como se chama o animal mostrado numa ilustração. Sim, era ele. Ou seja, tecnicamente o mesmo pássaro que visitava o jardim da leitoria. Mas suas cores variam tanto, até por efeito da luz em suas penas prismáticas, ou mesmo entre macho e fêmea ou de uma região a outra, que nem sempre é fácil reconhecê-lo nos guias de aves &#8211; a menos que ele conste do retrato de família.</p>
<p>Sendo tão resplandescente, como o surucuá consegue ser discreto? Pelo comportamento. Ele se mexe nos galhos com a calma e a ponderação de quem sabe que tem estampa demais para não dar na vista, o que costuma ser um tormento na vida das criaturas mansas. O surucuá – que se alimenta de insetos e frutas, sempre pequenos – nasce desarmado até no bico, curto demais para seu porte e ainda por cima quase enterrado num tufo de penugem decorativa.</p>
<p>Seu canto, que alguns ornitólogos classificam como “melancólico”, soa como a repetição de uma nota só em flauta de bambu, com um compasso final em surdina. Dá para ouvi-lo com freqüencia ultimamente nas beiradas de trilhas do Iguaçu, porque o surucuá está em fase de acasalamento.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Surucuá_0780.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1112" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; margin-left: 2px; margin-right: 2px;" title="Surucuá_0780" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Surucuá_0780-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>No mato, ouvi-lo não é garantia de vê-lo. A não ser que um raio de sol revele de repente o brilho inconfundível de suas penas, sua figura imóvel se perde na folhagem – inclusive na folhagem rala da temporada, na floresta estacional semidecídua do parque. Mas, cantando no jardim do diretor, é outra história.</p>
<p>O casal passou horas, na tarde do domingo passado, chamando a máquina fotográfica de um lado para o outro. É típico do surucuá trocar de poleiro em vôos curtos e silenciosos. Na floresta, bastam-lhe poucos metros para sumir de vista, às vezes definitivamente. Mas num terreno onde as árvores nativas se espalham no chão limpo, como se estivessem num mostruário vivo da botânica local, a conversa é outra.</p>
<p>Aonde ia um surucuá, a teleobjetiva ia atrás. Acompanhada de flash, para revelar o indescritível colorido das penas. Tratando-se da perseguição a um casal, o equipamento fotográfico deu voltas no jardim até entender que os vôos do macho e da fêmea, sempre próximos mas separados, tinham um padrão intrigante, como se cumprissem um roteiro ao redor do jardim.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0807.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1113" title="Macho_0807" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_0807.jpg" alt="" width="385" height="272" /></a></p>
<p>Até que o círculo se fechou num oco de árvore, onde se encaixava, como uma torre de barro, o ninho de cupins. É em lugares assim que os surucuás costumam se instalar como inquilinos, na época da procriação, sem com isso expulsar os proprietários. Havia um buraco redondo, recém cavado no cupim. E nele estava o eixo de todas aquelas voltas aparentemente a esmo através do jardim.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_08191.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1115" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; margin-left: 2px; margin-right: 2px;" title="Macho_0819" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/08/Macho_08191-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>O macho não teve dúvidas. Tapou imediatamente a entrada do ninho com o corpo, exibindo nesse momento todo o fulgor metálico de seu dorso. Aparentemente, para proteger a casa. Era, naquele momento, presa fácil. Expor-se a esse ponto só podia ser prova de coragem. Coragem que, pelo visto, a fêmea só faltou aplaudir como espectadora, admirando a cena de um ramo baixo, quase na primeira fila, diante do ninho, atenta ao desenrolar dos acontecimentos, com o olhar acentuado pelos cílios longos.</p>
<p>Foi grande a tentação de seguir a história da dupla até o fim, agora que ela tinha acrescentado, à coreagrafia estonteante dos vôos circulares, um enredo óbvio até para o mais ignorante dos observadores ou fotógrafos bissextos de aves. Mas era mais claro ainda o sinal de que estava na hora de deixá-los a sós, aos cuidados da janela do diretor.  Poranto, a história dos surucuás acaba aqui.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/08/04/dois-surucuas-e-um-caso-sem-fim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Patrimônio Natural da Regionalidade</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/patrimonio-natural-da-regionalidade/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/patrimonio-natural-da-regionalidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 01:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Cataratas do Iguaçu]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1099</guid>
		<description><![CDATA[Correm em raias paralelas em Brasília  reuniões com a Unesco para garantir, entre os assuntos, o títuto de Patrimônio Nacional da Hiumanidade para o Parque do Iguaçu e um novo projeto para cortá-lo com uma nova versão da velha Estrada do Colono.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Caminho-do-Poço-Preto_9494.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1100" title="Caminho do Poço Preto_9494" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Caminho-do-Poço-Preto_9494.jpg" alt="" width="409" height="272" /></a></p>
<p><strong>O</strong> Parque Nacional do Iguaçu entrou em rota de colisão com seu título de Patrimônio Natural da Humanidade. Aposta essa reputação em mesas avulsas, que o acaso juntou este mes em Brasília, a capital dos desencontros.</p>
<p>Numa rodada, o governo afia a língua para convencer a comissão da Unesco, instalada na cidade nesta virada de mes, que o parque vai bem, obrigado. Há queixas contra ele nos relatórios técnicos que precederam o encontro. Eles lamentam, para começo de conversa, a afobação para bater recordes de visitação ano após ano, em prejuízo da conservação da fauna e da flora.</p>
<p>Mas, até aí, a Garganta do Diabo fala mais alto. O título continuaria no papo, se não tivesse chegado a Brasília, pouco antes da comissão, mais uma proposta para reabrir a Estrada do Colono, cortando ao meio a floresta do Iguaçu. À Unesco se creditou, nove anos atrás, o empenho do governo brasileiro para interditar depressa a estrada, com Exército e a Polícia Federal, antes que o Iguaçu não se rebaixasse a sítio do patrimônio natural ameaçado.</p>
<p>A idéia de reabri-la apresentou-se no Ministério do Meio Ambiente pela mão do desembargador Álvaro Eduardo Junqueira. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região encarregou-o de promover a conciliação entre o parque e seus tradicionais invasores, em vez de julgar o processo. E ele passou a cuidar pessoalmente  do lado que quer porque quer a estrada de volta.</p>
<p>Com esse tipo de conciliação em marcha, o projeto, que antes era assunto de políticos locais, ganhou padrinho federal. E com ele mudou de estilo. A reabertura da estrada agora se chama “restauração”. Dispensa a força e a coreografia da luta armada que usou para ocupar o parque em 1997 e 2001. Sem perder o jeito de fato consumado.</p>
<p>Semanas atrás, os municípios paranaenses ouviram do desembargador, em assembléia, a sugestão de que se contentassem com uma estrada “mais ecológica”. Imediatamente, materializou-se o projeto de Estrada Ecológica, assinada pelas associações de municípios do Oeste e do Sudoeste do Paraná. O deputado paranaese Assis do Couto, de quebra, apresentou na Câmara o projeto de lei 7.123, que cria a “Estrada-Parque Caminho do Colono”. Promete não só &#8220;fomentar o desenvolvimento rural sustentável das regiões oeste e sudoeste do Paraná com o Parque Nacional do Iguaçu&#8221;, como &#8220;assegirar a efgetivação da segurança nacional necessária em área de fronteira&#8221;. Ou seja, servir de atalho em caso de guerra com a Argentina, um assunto que parecia superado como os governos militares.</p>
<p>Vai relatar o projeto  outro  deputado paranaense, o engenheiro Eduardo Sciarra – que, como sócio da construtora CRE, tem um pé na Cataratas S/A, a empresa que explora legalmente os serviços turísticos terceirizados no Iguaçu. E, pelo visto, outro pé na terceirização informal, que atropelas as concessões em vigor, renovadas há pouco por mais dez anos.</p>
<p>A estrada-parque é um atalho para a entrada no parque de concessionários que se credenciam, sobretudo, como detentores da “memória dos prioneiros”. Em outras palavras, da lenda que atribui aos colonos gaúchos e catarinenes a iniciativa “histórica” de rasgar na selva o tal caminho, aberto em terras da União pelo governo estadual. Isso, na década de 1950. Portanto, no mínimo 11 anos depois do decreto que instituiu o parque.</p>
<p>Mas trunfo histórico é coisa que nunca falta, como ensinou o historiador Sérgio Buarque de Holanda em <em>Visões do Paraíso.</em> Como certa boa vontade, há quem ponha o Camimho do Colono no leito imemorial da Trilha do Peabiru, que segundo as lendas quinhentistas teria servido ao apóstolo São Tomé para evangelizar os índios do altiplano andino, vindo da Índia.</p>
<p>Arisco mesmo é o futuro. Ele escapa pelas frinchas da proposta de &#8220;estrada ecológica&#8221;, que fala em calçar os 17,6 quilômetros do caminho de terra com lascas de balsalto, para que o piso irregular obrigue os veículos a trafegar em baixa velocidade. Com isso, estaria garantindo “a travessia segura da fauna”. Mas não a segurança dos veículos, motoristas e passageiros. Por via das dúvidas, manda cortar todas as árvores a um metro e meio da pista, “para evitar acidentes”.</p>
<p>Indica o uso exclusivo de “ônibus elétricos” nos passeios turísticos, sem dar a menor pista de onde pretende encontrá-los. Até onde a vista alcança, ninguém os fabrica em série no Brasil. Enumera 15 investimentos. Não apresenta um só cálculo de custo para eles.</p>
<p>É um documento tão sumária que cabe inteirinho e com folga em menos de 10 páginas, apesar da farta ilustração. Dá para atravessá-lo, de ponta a ponta, em minutos. E, apesar da pressa, não deixa de  abrir espaço para a construção de dois  Centros de Visitantes, &#8220;em cada extremidade&#8221;, para &#8220;educação ambiental e conforto dos viajantes.</p>
<p>Pode ser coincidência, mas ali está, ao pé da letra, o argumento marcial invocado pelo deputado Assis do Couto. Aquele corte na floresta, segundo a proposta de &#8220;restauração&#8221;, tem &#8220;importância inclusive militar&#8221;, porque &#8220;permitiria chegar rapidamente a umas das fronteiras com a Argentina. Isso numa hora em que os consultores da Unesco receitam, para os dois lados do rio Iguaçu, um parque cava dez mais transnacional, de administração compartilhada, como ocorre cada vez mais em lugares onde animais e plantas cruzam fronteiras sem a menor cerimônia. Quer dizer, além de atacar o parque brasileiro pela retaguarda, o Caminho do Colono agora quer estar no front de eventuais confusões com os argentinos.</p>
<p>Se o projeto cair nas mãos da Unesco, o governo brasileiro terá muito o que exlicar à comissão do Patrimônio Natural da Humidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/patrimonio-natural-da-regionalidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O outro país também chamado Brasil</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/um-outro-pais-tambem-chamado-brasil/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/um-outro-pais-tambem-chamado-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 03:06:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Carnívoros]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação]]></category>
		<category><![CDATA[Onças]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1085</guid>
		<description><![CDATA[Nada mais desnortente do que estar num parque nacional, onde as notícias e até os boatos sobre aparições de onças corre pelas picadas como sinos do advento, e saber que bem aqui ao lado havia uma operação comercial para liquidá-las pela caça clandestina. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_8136.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1090" title="_MG_8136" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_8136.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>M</strong>orar, mesmo que seja como hóspede, a título provisório, de passagem por um parque nacional, é como viver uma temporada no exterior. Só que esse exterior fica no interior do Brasil.</p>
<p>No parque, você ao mesmo tempo está no Brasil e fora dele. Seu Brasil é outro, um Brasil profundo, feito de retalhos do país original que ao nascer todos herdamos e ao viver vamos sempre perdendo aos poucos, de pedaço em pedaço, de queimada em queimada, de governo em governo, de notícia em notícia – como a notícia, por sinal alvissareira, de que a Polícia Federal e o Ministério do Meio Ambiente finalmente botaram a mão outro dia na quadrilha internacional que traficava com a caça clandestina de animais em extinção.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_82661.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1091" title="_MG_8266" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_82661.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Ela está aqui de perto. Um dos presos é até  vizinho do parque. Mora na cidade de Cascavel, a mais próspera e desenvolvida do extremo oeste paranaense. Ele coleciona troféus. Ou seja, mora, por gosto, num panteão de animais mortos, cabeças empalhadas, chifres, patas, peles. Os fiscais andavam de olho nele faz tempo. E, no entanto, ele mora logo ali em outro mundo, numa terra que nada tem a ver com este lugar em que o mais vago rumor de que podem ter nascido mais dois filhotes de onça pintada corre pelas trilhas como se fosse promessa de redenção.</p>
<p>Ao mesmo tempo, bem a seu lado, tem alguém esperando a hora de botar os últimos exemplares da espécie na lista das vidas raras que, por isso mesmo, valem mais no mercado da caça esportiva, aquela que enterra até carcaças para não deixar provas do crime. Ele é brasileiro também. Mas o Brasil onde ele existe vai deixando depressa de ser o seu a cada dia que você passa no parque – freando o carro para os gambás atravessarem a estrada, tirando à noite do quarto as mariposas que as lâmpadas atraíram e provavelmente, se dormirem lá dentro, amanhecerão espalhadas pelo chão, parando para esperar o momento em que infalivelmente uma borboleta enorpecida pelo frio da madrugada abrirá as asas para o primeiro sol.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_0543-Edit.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1092" title="_MG_0543-Edit" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/MG_0543-Edit.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Cada dia desses é um passo para olhar toda essa gente que atira, derruba, queima, constrói e diz besteiras sobre pererecas e outros bichos com a desenvoltura do presidente Lula como habitantes numerosos, hegemônicos e hostís de um país que também se chama Brasil, mas é contra o seu Brasil. E nunca poderá caber num parque nacional, enquanto houver um canto no Brasil para parques nacionais.</p>
<p>Deve ser por isso que há tantos projetos na política brasileira para revogar os parques, as reservas, o código florestal, tudo aquilo que conserva o que o Brasil dos outros quer suprimir. São projetos feitos de um povo que nunca poderá ter um parque nacional, porque ele é como onça viva – só tem sentido para quem gosta daquilo que não é seu, mas de todos. O outro Brasil só pode ter parques nacionais se acabar como eles.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/30/um-outro-pais-tambem-chamado-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A última, ou penúltima, do macaco</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/12/a-ultima-ou-penultima-do-macaco-prego/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/12/a-ultima-ou-penultima-do-macaco-prego/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 21:39:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia de Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1050</guid>
		<description><![CDATA[A queda das folhas nas árvores mais altas abriu alas na floresta para o desfile dos bandos de macacos-pregos, com saltos espetaculares e arrastões irresistíveis, em que parecem dispostos a comer tudo o que encontram.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_81681.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1135" title="Macaco-Prego_8168" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_81681.jpg" alt="" width="410" height="274" /></a></p>
<p style="text-align: left;"><strong>O</strong>s muito entediados que me perdoem, mas esta será, sim, a segunda vez, e pode não ser a última, que os macacos-pregos me invadem o blog, com a mesma sem-cerimônia com que tomam conta da floresta no parque do Iguaçu,  como se aquilo tudo fosse deles. Ou será que é?</p>
<p>Agora, então, com a mata mais ou menos desfolhada, como regem na temporada os estatutos da floresta estacional semi-decídua, é irresistível acompanhar seus saltos temerários e acrobáticos de uma copa à outra, por vãos cada vez mais largos, à medida que as clareiras do inverno vão esburacando os caminhos antes contínuos e quase secretos de suas correrias pelo dossel.</p>
<p>Para quem já se cansou de ver macacos-pregos de mãos esticadas, pedindo sobrasde bala ou biscoitos aos visitantes do Jardim Botânico, a poucos passos dos engarrafamentos na Zona Sul no Rio de Janeiro, os bandos do Iguaçu dão um banho literal na indiferença arogante que os moradores da cidade costumam ter pelos animais silvestres que se adaptaram demais à vida urbana. Nem é preciso ir às cartilhas primatológicas, cujo bê-a-bá nos ensina a respeitá-los como criaturas longevas, capazes de aprender muita coisa uns com os outros – e conosco &#8211; ao longo de seus 40 anos de intensa vida social.</p>
<p>Na prática, a mata devassada pela queda parcial da folhagem oferece, nesta estação, a chance de se debruçar sobre a intimidade dos macacos-pregos, pelas janelas indiscretas da vegetação, como se espia num edifício o quarto para onde acaba de se mudar uma vizinha bonita. Dá para vê-los quando acordam, aproveitando para o banho de sol os galhos nus das árvores mais altas.</p>
<p>Nessas horas, seus gestos mais simples ganham a dimensão do palco vasto, sem fim a vista. Nessa moldura, o pequeno braço peludo que se estende para catar piolho no macaco ao lado parece, na contra-luz, dourada pela luz da manhã, um fragmento da Criação que saiu do teto da capela Sistina e foi parar em cima de uma árvore.</p>
<p style="text-align: center;">
<p>Aqui, cabem parênteses para os não iniciados em fotografia. O contra-luz, no caso, é um efeito especial obrigatório, quando se mira qualquer detalhe de uma floresta tropical através de uma lente fotográfica. Com luz frontal, a mata é uma mixórdia de sol e sombra, cheia de contrastes que ultrapassam de longe a tolerância dos sensores digitais, como outrora inundavam de claros-escuros invisíveis os melhores filmes convencionais. Mata se enxerga melhor em dia nublado, antes do sol ou depois dele. E, não podendo fugir de seu brilho excessivo, em contra-luz.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_8187.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1054" title="Macaco-Prego_8187" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_8187.jpg" alt="" width="410" height="274" /></a></p>
<p>Voltando aos macacos, o banho de sol coletivo, tendo por fundo o céu, já é programa para encher a primeira parte de qualquer manhã de bom tempo. Sobretudo, quando o dia acorda meio gelado. A mata, no frio, custa a pegar. E os macacos, lá em cima, já acumularam energia de sobra até para perpetuar a espécie.</p>
<p>De repente, a contemplação acaba e o bando zarpa, cada um por si, as todos no mesmo rumo, mas por trilhas príoprias, atendendo a um chamado que mal se distingue dos guinchos que regiam a pasmaceira do banho-de-sol matinal. Aí, literalmente, é melhor sair de baixo. O que se deflagra, nesse momento, é aquele tipo de ação que, numa praia carioca, em domingo de verão, os jornais jornais tachariam no dia seguinte de arrastão.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-prego_8014.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1055" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Macaco-prego_8014" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-prego_8014.jpg" alt="" width="311" height="409" /></a>No Iguaçu, pode ser inverno, e mato puro. Mas a sensação imediata de que um poder mais alto se alevantou, cheio de fome onívora, disposto a tudo por um café-da-manhã variado e farto. a turba sacode na pressa as gotas de orvalho das folhas, fazendo chover sob o céu azul. Derrubaao mesmo tempo todas as frutas de uma árvore, maduras ou verdes. Espanta os pássaros, que faziam tudo para ficar invisíveis em seus cantos escuros e, diante dos macacos, disparam aos gritos de “perigo à vista”, talvez deixando os ninhos para trás.</p>
<p>As borboletas e mariposas que se acreditavam invulneráveis pelo mimetismo são rapidamente recrutadas para ocupar sua vaga na cadeia alimentar da floresta, onde permanentemente tudo se devora. Com um certo pendor para as emoções mais fortes, pode-se admirar os dedos que arrancam as asas dos insetos com a destreza caracteristas das mãos feitas para descascar bananas, e as bocas glutonas que engolem os bichos vivos, sem os adereços alados que caem ao chão com volteios de pétalas iridescentes. É feio, mas é bonito.</p>
<p>Os macacos comem tudo que poden diferir. Despem troncos para devorar larvas. Desfolham bromélias como se fossem alcachofra num restaurante francês. Investigam todos os ocos de árvores à cata de alimentos indecifráveis. Quebram galhos inteiros para desalojar sabe-se lá o quê. Num lugar onde a maioria dos bichos trata de parecer discreta, seja por ser presa ou por ser predadora, os macacos se dão ao luxo de ser indiscretos e ruidosos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_81291.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1064" title="Macaco-Prego_8129" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Macaco-Prego_81291.jpg" alt="" width="410" height="274" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Têm uma auto-confiança ostentatória. Saltam entre árvores como trapezistas sem outra rede além do próprio rabo. Arreganham caninos pontudos de feras em miniatura para os xeretas lá embaixo, para deixar claro que a posse do território, naquele caso, não é questão de tamanho, mas de domínio do terreno. E, por onde passam, deixam a impressão de que os grandes carnívoros podem até levar a fama, mas não há maior ferocidade que a dos onívoros de qualquer porte.</p>
<p>Em suma, lembram de onde  foi que nós viemos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/12/a-ultima-ou-penultima-do-macaco-prego/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Não parece que foi ontem. Mas foi.</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/09/nem-parece-que-foi-ontem/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/09/nem-parece-que-foi-ontem/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 15:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Colonização]]></category>
		<category><![CDATA[Oeste do Paraná]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1028</guid>
		<description><![CDATA[Em vez de acalentar velhos mitos, a professora Adriana Tavares preferiu ir procurar na vida real a história da cidade onde nasceu, na década de 1970, dentro do parque nacional do Iguaçu. E encontrou um tesouro enterrado em velhos baús.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Veado-morto_05251.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1043" title="Veado morto_0525" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Veado-morto_05251.jpg" alt="" width="409" height="266" /></a></p>
<p><strong>N</strong>a escola estadual Parigot de Souza, a professora Adriana Marshall Tavares abre os envelopes vindos dos baús de parentes nos cafundós de Goiás e, em São Miguel do Iguaçu, a mesa da diretoria logo fica pequena para tanta fotografia despejada no tampo de fórmica.</p>
<p>As fotos têm legendas, que a própria Adriana colou em suas bordas seis anos atrás. São tiras supérfluas de papel amarfanhado, porque ela e seu tio, o diretor Jaime Emir Bogorni, sabem tudo de cor. Reconhecem de cara, por exemplo, o motorista Elmo Buche, que dirigia, uniformizado e de gravata, o único ônibus da linha intermunicipal a trafegar diante de sua casa na infância. Dão nomes aos jovens que empunham canecos de chope no Clube Aliança Três Fronteiras, “a nossa Oktoberfest”. E ao time de futebol.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Time_0258.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1032" title="Time_0258" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Time_0258.jpg" alt="" width="435" height="257" /></a></p>
<p>Nas imagens meio desfocadas e de cores esmaecidas está o dia-a-dia de quatro núcleos coloniais no Oeste paranaense. Há, por exemplo, o flagrante noturno de caçadores prestes a tirar o couro de uma onça pintada, morta nos fundos de casa. Um grupo de crianças posando em torno  do veado mateiro pronto para virar carne. E um velho caminhão quase esmagado pelo tronco descomunal que carrega para “a serraria do Alberto Matte”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Serraria_0222.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1033" title="Serraria_0222" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Serraria_0222.jpg" alt="" width="446" height="286" /></a></p>
<p>Tudo isso aconteceu entre as décadas de 1960 e 1970 no Parque Nacional do Iguaçu. Atenção ao detalhe: <strong>dentro do Parque Nacional do Iguaçu</strong>. Vinte e um anos depois de sua criação, ele foi loteado por um advogado de Foz do Iguaçu, chamado Gaspar Coutinho. Seus agentes imobiliários andaram vendendo terras até no Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Onça_0236.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1044" title="Onça_0236" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Onça_0236.jpg" alt="" width="435" height="286" /></a></p>
<p>Os novos proprietários chegaram com os títulos na mão e uma desconfiança na cabeça. Seriam regulares aqueles lotes comprados num parque nacional? O cartório de São Miguel garantiu que sim. E registrou-os. O vigário José Gaertner sugeriu que o primeiro núcleo se denominasse São José do Iguaçu, batizado à “sombra de uma enorme figueira na mata”. Rapidamente se juntaram ao povoamento os vilarejos de Dois Irmãos, Santo Alberto e São Luiz.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Centro-Clube_0230.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1034" title="Centro Clube_0230" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Centro-Clube_0230.jpg" alt="" width="428" height="286" /></a></p>
<p>E o loteamento prosperou. Em 1969, a prefeitura dotou Santo Alberto de uma escola com quatro salas de aula, num grande prédio de madeira, com espaço “para mais de 100 alunos”. No ano seguinte, oficializou a colonização como Núcleo Administrativo. E a câmara de vereadores providenciou-lhe a rede elétrica e o posto de saúde. Eram, em pouco tempo, cidades pioneiras em acelerado processo de consolidação.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Foto-aérea_02771.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1035" title="Foto aérea_0277" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Foto-aérea_02771.jpg" alt="" width="429" height="286" /></a></p>
<p>Já funcionavam nos arruados de terra farmácia, açougue e dentista, quando do céu caiu sobre os colonos a sombra de um monomotor, voando baixo, para a tomada de fotos aéreas. Com ele chegou a notícia de que o governo federal queria de volta aquele pedaço do parque, que os moradores haviam adquirido, com a papelada aparentemente em ordem. Naquele momento, o Iguaçu passava, sob a coordenação da engenheira agrônoma Maria Tereza Pádua, um processo tardio de regularização fundiária, feito com todos os cuidados para livrá-lo, de uma vez por todas, de contestações e disputas judiciárias.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Túmulo_02631.jpg"><img class="size-medium wp-image-1037 alignright" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Túmulo_0263" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Túmulo_02631-197x300.jpg" alt="" width="158" height="240" /></a>Indenizados, os proprietários foram transferidos, a contragosto, para três novos povoamentos, do outro lado de São Miguel do Iguaçu, nas margens do rio Ocoí. Ali, seus  lotes teriam, em princípio, o dobro do tamanho. Mas, em média, 60% de sua área estavam previamente destinados à inundação iminente pelo reservatório de Itaipu. O novo endereço era ainda um lugar de matas virgens. Mas a mata que sobrou já não estava tão disponível quanto antes à serra e ao fogo, tradicionais instrumentos desbravadores da fronteira agrícola. Pelo menos um dos reassentados foi parar na cadeia por queimar seu naco de floresta. Os núcleos do Ocoí vingaram como bairros. Sua vocação agrícola ficou pelo caminho.</p>
<p>Adriana nasceu em Santo Alberto há 36 anos. Saiu aos dez meses da casa de madeira e chão de cimento que a família Bogorni construiu. Da construção resta hoje a escada da varanda, que Adriana só voltou a pisar três décadas depois, cercada de mato por todos os lados. Posou para uma fotografia no mesmo ponto onde aparece num retrato antigo, ainda aprendendo a andar, sobre o piso de vermelhão. Santo Alberto virou precocemente um sítio arqueológico, com poços, túmulos azulejados e vasos de samambaia tragados pela selva, no melhor estilo das imemoriais ruínas maias.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Adriana_0220.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1039" style="margin-top: 4px; margin-bottom: 4px; margin-left: 3px; margin-right: 3px;" title="Adriana_0220" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Adriana_0220-195x300.jpg" alt="" width="137" height="210" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Em 2004, a professora restaurou o que sobrava das quatro cidades mortas nas lembranças e nos guardados de seus antigos moradores. O trabalho, com entrevistas gravadas em vídeo e pesquisas de campo, exigiu um mutirão de várias escolas. Três delas racharam as despesas, orçadas ao todo em 120 reais. O resulto foi exposto e visitado em 2004. Depois, engavetou-se novamente. Adriana passou todos esses anos sem revê-lo. Todo esse trabalho brotou, por iniciativa própria, de uma pesquisa que ela precisava fazer sobre a região, como formalidade para a conclusão de um curso de educação ambiental que fez na escola do Parque Nacional do Iguaçu. A descrever impessoalmente um lugar qualquer, ela preferiu ir atrás de sua própria história. E constatou, com olhos de adulta, que mesmo as piores recordações de uma crise familiar tem dois lados.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Adriana-Grande_02462.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1041" style="margin: 3px;" title="Adriana Grande_0246" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Adriana-Grande_02462-194x300.jpg" alt="" width="136" height="210" /></a>Ao rever as fotografias, ela lamenta ambas as perdas – as próprias e as do parque. Tudo isso por 120 reais deve ser o maior investimento ambiental que já se fez no Oeste paranaense com orçamento esquelético. Se os municípios das região fizessem apostas semelhantes, na certa se livrariam de seus mais renitentes fantasmas, <a href="http://marcossacorrea.com.br/2010/06/05/a-estrada-do-colono-morreu-mas-se-mexe/">como a Estrada do Colono.</a> Neste ano eleitoral, ela ensaia mais uma vez um movimento político de ressurreição, para abocanhar um naco do Iguaçu, um parque nacional que, caso raro no Brasil, enterrou  há mais de duas décadas todas as suas encrencas legais ou fundiárias. Debates intermináveis como esse só podem ser resolvidos à luz da história e não à sombra de velhas lendas.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/09/nem-parece-que-foi-ontem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No meio do caminho tem ferro-velho</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/02/no-caminho-tem-um-ferro-velho/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/02/no-caminho-tem-um-ferro-velho/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 23:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Estrada do Colono]]></category>
		<category><![CDATA[Oeste do Paraná]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=1012</guid>
		<description><![CDATA[As prefeituras que achavam a Estrada do Colono indispensável ao escoamento de suas safras agrícolas agora querem explorá-la como roteiro "ecológico", mas nunca levantaram um dedo contra a pirataria no parque. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Justiça-Divina_0074.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1015" title="Justiça Divina_0074" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Justiça-Divina_0074.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p><strong>F</strong>unciona um ferro-velho dentro do parque nacional do Iguaçu. Feio como todo ferro-velho. É um terreno baldio onde relíquias da civilização industrial apodrecem ao relento. Fica num pequeno desvio da estrada que leva os turistas às cataratas. Mas, escondido pudicamente atrás das árvores, não passa nem perto do roteiro da visitação.</p>
<p>O que é lastimável. Seria uma parada indispensável à educação ambiental do público. Porque aqueles carros enferrujados, de modelos que saíram de linha faz muito tempo, com o mato subindo pelas latarias, foram todos apreendidos pelos fiscais nas mãos de caçadores clandestinos, palmiteiros e outros agentes da pilhagem constante que os moradores da vizinhança praticam, em nome de costumes locais irreprimíveis, contra o patrimônio do país, guardado no Iguaçu.</p>
<p><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Carros_0092.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1016" style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 4px; margin-right: 4px;" title="Carros_0092" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Carros_0092.jpg" alt="" width="273" height="409" /></a>Antes, aquelas sucatas eram entregues às delegacias locais. Mas voltavam rapidamente às mãos dos proprietários, devolvidas por uma polícia simpática ou cúmplice, sob as ordens de políticos e prefeitos que tratam essas coisas como manifestações culturais.</p>
<p>Presos no parque até o fim de processos que não acabam nunca, os carros, pelo menos, não reincidem no furto, como seus donos. São Wons, Stumpf, Bergen ou Simermann, formando verdadeiras dinastias de infratores. Repetem-se na papelada, também, suas  histórias – quase sempre de “agricultores”, “pedreiros”, “marceneiros”,  trabalhadores humildes, que estavam “sem emprego” e por isso foram contratados para ganhar no meio da noite um dinheirinho fácil e pingado. Ou seja, obra grande de povo miúdo.</p>
<p>Seus depoimentos perpetuam a lenda de que roubar o parque é atividade de subsistência. Mas elas têm por trás autênticas indústrias. Pelo menos um mandado levou à casa de um pastor protestante, que abriu a porta aos fiscais com a afabilidade de quem não tinha nada a esconder. Tomou mesmo a iniciativa de ir à frente com a mulher, guiando a busca, cômodo por cômodo, como se tivesse orgulho de exibir a orden doméstica simples e decorosa.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Brasília_0093.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1017" title="Brasília_0093" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Brasília_0093.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Até que um fiscal se ajoelhou diante de uma cama, coberta até o chão por colcha imaculada. E descobriu que todos os móveis estocavam maços de palmito entre as pernas. Tratava-se, nas horas vagas do culto, de um empresário do ramo de conservas caseiras.</p>
<p>Outros nomes recorrentes são os das cidades nas placas dos automóveis. De Capanema, Medianeira, Serranópolis vem a maior parte da frota encalhada no ferro-velho. Não só por serem cidades próximas. Mas sobretudo por nunca levantarem um dedo para coibir a pirataria, mesmo se muitas delas embolsam como ICMs ecológico as indenizações pela presença de uma unidade de conservação federal em território municipal.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Caravan_0276.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1018" title="Caravan_0276" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Caravan_0276.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>São essas as cidades que o projeto 7.123, do deputado paranaense Assis do Couto, quer agora premiar com a reabertura da <a href="http://marcossacorrea.com.br/2010/06/05/a-estrada-do-colono-morreu-mas-se-mexe/">Estrada do Colono, cortando o parque de um lado a outro</a>. Ela deixou de ser aquele atalho rodoviário de anos atrás, defendido por invasões violentas como  indispensável ao escoamento da produção agrícola. Virou “ecológica”. Promete fazer “educação ambiental” e promover o “desenvolvimento rural sustentável”.</p>
<p>Só se a engenharia genética tantas fez que agora a soja transgênica quer porque quer passear na floresta. Porque difícil mesmo de acreditar é na nova política de boa vizinhança. Os municípios envolvidos com a Estrada do Colono já provaram até cansar que têm prefeituras inidôneas para lidar com o parque.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/07/02/no-caminho-tem-um-ferro-velho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A floresta é mais estacional no outono</title>
		<link>http://marcossacorrea.com.br/2010/06/25/a-floresta-estacional-se-revela-no-outono/</link>
		<comments>http://marcossacorrea.com.br/2010/06/25/a-floresta-estacional-se-revela-no-outono/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 20:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Sá Corrêa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Iguaçu 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Floresta]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia de Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Outono]]></category>
		<category><![CDATA[Parque Nacional do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://marcossacorrea.com.br/?p=995</guid>
		<description><![CDATA["Floresta Estacional Semidecídua" pode dizer tudo aos botânicos, mas diz pouco aos leigos, até eles terem a chance de acompanhar, passo a passo, suas mudanças diárias, quando o frio e as estiagem chegam a Iguaçu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Outono_0308.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-996" title="Outono_0308" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Outono_0308.jpg" alt="" width="416" height="272" /></a></p>
<p><strong>O</strong>s ambientalistas que me perdoem, mas a língua que eles usam achando ser a portuguesa tem uma certa dívida a saldar com a natureza brasileira. Atravancou-lhe o caminho com palavras difíceis de engolir, ou mesmo de proferir, como bioma. Para os iniciados, bioma pode ser um termo indispensável para designar uma “grande comunidade estável e desenvolvida, adaptada às condições ecológicas de uma certa região, e geralmente caracterizada por um tipo principal de vegetação” etc.</p>
<p>Mas, para quem ainda está tateando o assunto ou, melhor ainda, dando os primeiros passos em direção à natureza, a palavra soa como nome de uma vaga doença desconhecida, talvez um novo sintoma da hipocondria cósmica que os muito anti-ecológicos instistem em diagnosticar nos ecologistas. E, vamos e venhamos: “bioma mata atlântica” é quase um convite a não se aproximar da floresta, um espantalho verbal afastando os intrusos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Tres-Mosqueteros_0358.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-997" title="Tres Mosqueteros_0358" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Tres-Mosqueteros_0358.jpg" alt="" width="409" height="272" /></a></p>
<p>Essa conversa fiada veio por conta do outono que, sem obediência cega ao calendário, vai acabando aos poucos no parque do Iguaçu, retardado pela temporada interminável de chuvas que, este ano, ainda não deu tempo sequer para o fundo das trilhas secar – e menos ainda secar a floresta à sua volta. Talvez por isso mesmo, a estação teve a chance de se revelar aos poucos. O que dá ao forasteiro a chance de perceber aquilo que, passando por sua frente em velocidade de cruzeiro, talvez continuasse desapercebido.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Araçari_7530.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-998" title="Araçari_7530" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Araçari_7530.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Por exemplo, que Iguaçu tem mesmo outono. Não é como aqueles que amarelam de um dia para o outro montanhas inteiras no hemisfério norte. Ou mesmo os que avermelham de repente os vales aos pés da Patagônia andina. No Iguaçu ele vem em mancha esparsas. Uma folhagem amarela aqui, outra avermelha adiante.Folhas caem aos montes ainda verdes, ao primeiro pé de vento. E, no fim, juntando as coisas, mais cedo ou mais tarde até os turistas aprendem, na prática, o que quer dizer ao vivo e em cores a tal da floresta estacional semidecídua.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Fungos_7150.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-999" title="Fungos_7150" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Fungos_7150.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>Sim, ela muda com a estação. E, sim, também perde folhas. O chão da mata com, elas fica diferente. E as copas mais altas, quando se desfolham, abrem embaixo clareiras provisórias, onde as flores e as lianas parecem estar esperando para pegar sol exatamente na parte do ano onde ele sobe mais tarde e cai mais cedo. Entre o fim da manhã e o começo da noite, a floresta fica ensolarada. O bosque rasteiro, que até outro dia passava meio desapercebido como uma massa mais ou menos informe de vegetação opaca, ganha destaque e perspectiva.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Jacaré_0448.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1000" title="Jacaré_0448" src="http://marcossacorrea.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Jacaré_0448.jpg" alt="" width="408" height="272" /></a></p>
<p>No entardecer, o sol bate transversalmente num dossel que deixou de ser continuo, para se encher de falhas providenciais, que abrem alas para a luz chegar a troncos e galhos que passaram metade do ano na sombra impenetrável das árvores dominantes. Aí, o pássaro que outro dia mesmo era uma voz sem forma ou uma silhueta escura se cobre de cores vivas que nunca se mostravam antes. Aparentemente, há mais bichos. Na verdade,são menos bichos, mas incomparavelmente mais e</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://marcossacorrea.com.br/2010/06/25/a-floresta-estacional-se-revela-no-outono/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
