Rotina de funcionário público é a arte de contar as horas que faltam para o fim do expediente. Certo? Errado. Jorge Pegoraro, o chefe do parque nacional do Iguaçu, deu um jeito de esticar os seus dias como fotógrafo de natureza.
Durou 55 dias a vida de Manu, o filhote de veado mateiro que foi achado em outubro no parque nacional do Iguaçu, ferido e desgarrado da mãe. Dias atrás, foi atacada por uma jaguatirica. Morreu no mato, o lugar certo.
Manu, uma corça encontrada no parque do Iguaçu com dois dias de idade, depois de atacada por um predador, resolveu aprender sozinha a viver no mato. E o os biólogos que a adotaram só podem lhe dar apoio.
Às vésperas de fazer 72 anos, o Iguaçu ganha sua primeira pesqiuisa de icitiofauna logo abaixo das cataratas e descobre, logo na primeira rodada de estudos, que é parque nacional também debaixo d'água.
Guia de ecoturismo num fundo do parque nacional que quase ninguém visita e quilombola por obra e graça de uma largueza do governo, Almiro Marcelino Pereira administra sozinho um tesouro turístico que o Brasil ignora.
O parque enfrentou esta semana dois testes de resistência a pressões sempre crescentes. Passou por lá um furacão da pesada, abrindo clareiras na mata, e um feriadão que empurrou mais de 29 mil pessoas por seus portões adentro.
Há um ruído característico de animais esquivos correndo no mato que acorda os instintos de caçador até no mais pacíficista dos fotógrafos de natureza. E aquele parecia aos ouvidos ser um bicho muito especial.
O primeiro sinal da primavera foi a volta dos andorinhões às cataratas. Eles vieram antes da estação. Retomaram seus postos nas rochas a prumo. E, no céu, o lugar dos intermináveis poentes vermelhos, por obra e graça do ar seco e opaco das queimadas.
Numa série inédita de vídeos, entre depoimentos de ex-diretores do Iguaçu e descendentes de pioneiros, a entrevista de uma ex-moradora do parque destoa pelo horror ao mato. Mas é história típica da fronteira.
Nem a presença do presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff conseguiu abafar, no começo do mes, a campanha matrimonial dos guaxes, que aos berros tecem seus ninhos nas palmas das jerivás.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
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