Por que custam tanto a sair em português os livros em que os naturalistas conseguem tornar claras e irresistíveis em outras línguas as obrigações que todos nós - inclusive as motosserras - com a conservação da natureza?
O país fica devendo um favor às pessoas que enfeitaram o debate sobre o código florestal com citações da velha fábula de La Fontaine sobre a cigarra e a formiga. Ela é há séculos um verdadeiro clássico da ignorância humana sobre a natureza.
Viver em paz com a natureza dá trabalho. Mas dá frutos, como o e-mail mandado de Santo Antonio do Pinhal por Miriam Leite e Dioclésio do Nascimento, que têm mania de melhorar os lugares por onde passam.
O movimento político para transformar em áreas de relevante interesse social os terrenos invadidos do Jardim Botânico e do Horto não respeita decisões da Justiça nem os compêndios escolares de História do Brasil.
Pela segunda vez em duas décadas, o governo do Rio de Janeiro anuncia que vai despoluir, com financiamento externo, a baía de Guanarabara. Desta vez, será para 2016. A primeira despoluição não fez nada no dobro do tempo.
A sentença que anulou este mes a criação do Parque Nacional de Ilha Grande, com argumentos que põem em risco todo o sistema nacional de unidades de conservação, é um exemplo de como os autos podem levar juízes para longe da realidade nua e crua. No caso, saiu ganhando a grilagem.
Um livro recém lançado no Peru mostra, com uma profusão de dados históricos, números oficiais e previsões para o futuro, como investimentos brasileiros no país vizinho ameaça a Amazônia peruana, inclusive terras indígenas e unidades de conservação. Vamos agora exportar desmatamento.
Vai mal uma campanha presidencial que começa com políticos em fim de mandato alterando o Código Florestal, leiloando a hidrelétrica de Belo Monte e autorizando o aproveitamento energético de unidades de conservação. Promete um futuro igualzinho ao tempo em que o escritor Monteiro Lobato viveu.
Com o Rio encurralado pela chuva e a Casa do Pontal quase perdendo seu acervo de arte popular para córregos e canais que todo mundo suja e ninguém limpa, saber que o Jardim Botânico está fazendo um Museo do Meio Ambiente é um verdadeiro brinde à teimosia humana.
Uma armadilha fotográfica acaba de flagrar, para os estudos de fauna do Cenap, uma onça parda atacando uma capivara no terreno da Replan, a maior refinaria do Brasil. Resta saber se a Petrobras quer prospectar esse achado em seus programas ambientais.
sexta-feira, julho 23, 2010
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