Se o eleitorado respirar fundo, não precisará perder um minuto com o horário gratuito de propaganda eleitoral para notar que, nesta campanha, deveria estar em debate o modelo de desenvolvimento que troca ar por fumaça. Mas a fumaça que sufoca também embaça a visão.
O futuro de Serra Grande, no litoral da Bahia, parecia garantido. Seria uma experiência de desenvolvimento social e econômico baseado na conservação de sua natureza excepcional. Um trem de minério atropelou-o.
Os ensaios de patrocínio das campanhas presidenciais via internet ainda não chegaram ao ponto, no Brasil, em que o doador sabe imediatamente para onde foi seu dinheiro, como entre os gorilas no zoológico do Bronx.
Correm em raias paralelas em Brasília reuniões com a Unesco para garantir, entre os assuntos, o títuto de Patrimônio Nacional da Hiumanidade para o Parque do Iguaçu e um novo projeto para cortá-lo com uma nova versão da velha Estrada do Colono.
Por que custam tanto a sair em português os livros em que os naturalistas conseguem tornar claras e irresistíveis em outras línguas as obrigações que todos nós - inclusive as motosserras - com a conservação da natureza?
O país fica devendo um favor às pessoas que enfeitaram o debate sobre o código florestal com citações da velha fábula de La Fontaine sobre a cigarra e a formiga. Ela é há séculos um verdadeiro clássico da ignorância humana sobre a natureza.
Viver em paz com a natureza dá trabalho. Mas dá frutos, como o e-mail mandado de Santo Antonio do Pinhal por Miriam Leite e Dioclésio do Nascimento, que têm mania de melhorar os lugares por onde passam.
O movimento político para transformar em áreas de relevante interesse social os terrenos invadidos do Jardim Botânico e do Horto não respeita decisões da Justiça nem os compêndios escolares de História do Brasil.
Pela segunda vez em duas décadas, o governo do Rio de Janeiro anuncia que vai despoluir, com financiamento externo, a baía de Guanarabara. Desta vez, será para 2016. A primeira despoluição não fez nada no dobro do tempo.
A sentença que anulou este mes a criação do Parque Nacional de Ilha Grande, com argumentos que põem em risco todo o sistema nacional de unidades de conservação, é um exemplo de como os autos podem levar juízes para longe da realidade nua e crua. No caso, saiu ganhando a grilagem.
quinta-feira, setembro 2, 2010
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