A chuva não pode ir para a cadeia
sáb, jan 15, 2011
Das surpresas do clima quem pode falar por todos os políticos com conhecimento de causa são os faraós egípcios. Eles, como o ex-presidente Lula, agiam como enviados do céu à terra. E, ao contrário do ex-presidente Lula, não falam desde que saíram de cena, a não ser por intermédio de escribas e hieroglifos.
Mas, como encarnações do sol, se o sol fracassava lá em cima eram arrancados do trono cá embaixo, surrados e cuspidos no fundo do Nilo. Tudo porque o rio deixava de inundar o delta que nutria seu reino agrícola. Lá, o regime político mudava conforme o regime do rio. Tornava-se violento e insurreto até o Nilo voltar à normalidade, irrigando uma nova dinastia.
As vítimas dessas tragédias políticas e climáticas não tinham, na época, como saber que as cheias do Nilo eram regidas pelas chuvas de monção do Sudeste Asiático, que por sua vez dependiam de ventos conjurados pela temperatura das águas no oceano Pacífico, do outro lado da terra, na costa da América do Sul, um lugar mais distante que o sol do cotidiano egípcio.
O culpado da desordem era um fenômeno natural que só entrou há duas décadas no noticiário internacional, com o nome de El Niño. Mas deixar o clima fazer seus estragos à solta, em Tebas ou Menfis, tinha custo político, porque da regularidade do rio dependiam vidas humanas. O preço era injusto, cruel e exorbitante. Como é injusto, e talvez seja também cruel e exorbitante, que hoje não se processe no Brasil, por homicídio culposo, o político que patrocina baixas evitáveis e supérfluas em encostas carcomidas e vales entulhados por ocupações criminosas.
No dia em que um prefeito, olhando as nuvens no horizonte, enxergar a mais remota possibilidade de ir para a cadeia pelas mortes que poderia impedir e incentivou, as cidades brasileiras deixariam aos poucos de ser quase todas, como são, feias, vulneráveis e decrépitas. De graça, ou com o dinheiro virtual do PAC, os políticos não consertarão nunca a desordem que os elege.
Não adianta ameaçá-los com ações contra o Estado ou a administração pública, porque o Estado e a administração pública, na hora de pagar a conta, somos nós, os contribuintes. O remédio é responsabilizar homens públicos como pessoas físicas pelos crimes que cometem contra a vida. Às vezes em série, como acaba de acontecer na região serrana do Rio de Janeiro.
O resto é conversa fiada. Ou, pior, papo de verão em vôo de helicóptero, que nessas ocasiões poupa às autoridades até o incômodo de sujar os sapatos na lama. Pobres faraós. O longo e virtuoso o caminho civilizatório que nos separa de seu linchamento está nos levando de volta à impunidade anárquica das entressafras dinásticas, quando a favelização lambia até as suntuosas muralhas de Luxor.
Linchar um político não é a mesma coisa que malhar seus projetos. E os brasileiros estão perdendo mais uma chance de bater com força no projeto de lei número 1876/99, que o deputado Aldo Rabelo transfigurou, para enquadrar o Código Florestal nos princípios do fato consumado. Ele propõe reduz à metade as áreas de preservação em margens de rio, dispensa da reserva legal propriedades pequenas ou médias e consolida os desmatamentos ilegais. Nunca foi tão fácil saber aonde ele quer chegar com isso, folheando as fotografias aéreas das avalanches em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Dá para ver nas imagens o que havia antes nos pontos mais atingidos. Ou, com clareza maior ainda, nestes estragos que precederam a enxurrada no Vale do Cuiabá. É o que o novo Código Florestal vai produzir no campo. Mais disso.






janeiro 15th, 2011 at 13:20
Antes que esse texto chegasse aqui ao blog, ele suscitou uma crítica dura, mas ponderada e interessante do leitor Ricardo Camargo de Souza Dias, que reproduzo aqui na íntegra para não separá-la do artigo que a provocou. Aí vai ela, como chegou por e-mail:
Caro Marcos,
Não concordo com o que saiu hoje em sua coluna do Estadão. O deputado
Aldo Rebelo está certo, o Código Florestal precisa ser revisto sim:
Sou de uma família de produtores de café de Arceburgo, MG, sou
também cineasta e formado em biologia. Meu bisavô, 150 anos atrás,
plantava café nas mesmas terras em que eu tenho café hoje. A cada ano
a minha produtividade aumenta ao mesmo tempo em que a qualidade do
solo e a diversidade de vida melhora. Pela Lei eu poderei ser preso
porque tenho café em encosta de morro;
Sugiro que você visite Juruaia, uma pequena cidade da nossa região,
onde há um curioso polo de fabricação de lingerie. Recomendei até à
minha cooperativa, a Cooxupé, que o convide a ir até lá. A região é
de pequenas propriedades de café numa morraiada brava. Praticamente
não há plantações no plano. Lembra o Vale do Paraíba, só que com uma
cafeicultura ambientalmente correta. Eles produzem bem, vivem da
terra há gerações, o ambiente está em ordem, só que eles também
poderão ser presos, e são centenas de produtores. O mesmo vai
acontecer com os vinicultores do Rio Grande do Sul e tantos outros
produtores rurais Brasil afora;
A ideia de obrigar o proprietário a criar uma reserva legal é
errada, não só pelo custo mas principalmente do ponto de vista
ambiental. Não faz o menor sentido se criar milhares de pequenas ilhas
de reserva, isoladas umas das outras – levado ao absurdo, em milhares
de anos isso poderia provocar o surgimento de novas espécies. O
correto é a criação de grandes reservas, públicas ou privadas,
protegidas e interligadas.
O deputado Rebelo se interessou pelo tema quando descobriu que
diversas ONGs daqui e de fora são financiadas pelos produtores
americanos, que não conseguem competir com o agronegócio brasileiro.
É verdade, para eles é mais fácil tentar nos obrigar a fazer algo, que
eles não fazem de jeito nenhum, do que nos enfrentar na produtividade.
Basta dar uma olhada no Google Earth no estado de Iowa, no cornbelt
americano. Tente encontrar ali uma reserva legal ou mata ribeirinha (o
termo ciliar é errado). Imagine proibir que se plante nas várzeas do
Nilo ou do Ganges, como seria o caso se para o povo de lá valesse a
nossa lei.
A agricultura tropical é uma novidade revolucionária, que muda o
eixo da produção de energia e alimentos para as regiões menos
desenvolvidas do mundo. É claro que o primeiro mundo não gosta disso.
Converse com o ex ministro Roberto Rodrigues, ele é um cientista e tem
todos os números sobre isso;
O código florestal, fora pequenas diferenças em relação à região
amazônica, é o mesmo para todo o Brasil. Não faz o menor sentido
tratar a caatinga, a mata, o campo, o cerrado como se fossem uma coisa
só. É claro que o Código deve ser revisto;
Para terminar eu recomendo que você tente viver da terra. Plante
alguma coisa, tenha um sítio. Experimente na prática o que é a
agricultura. Tente produzir comida barata sem adubo químico, sem
herbicida, sem máquinas, sem plantas modificas geneticamente.
Quanto à questão das encostas urbanas e das enchentes, você tem razão.
Mas aí a melhor solução seria o que uma leitora sugeriu ontem no
jornal, mudar as eleições para março. Seria mesmo uma boa maneira dos
políticos levarem essa questão a sério.
Um abraço,
Ricardo Dias
Tratei de responder-lhe na mesma hora. No mesmo tom:
Caro Ricardo,
É uma alegria ver que no Brasil duas pessoas ainda podem discordar de
maneira inteligível e inteligente. E fiquei realmente com
vontade de ver de perto Juruaia. Irei aí assim que puder. E sem precisar de
convite, porque essas coisas me interessam. E o que me interessa eu faço com meus próprios recursos. O que não me impede de continuar
achando que, por trás de cada caso como o seu, milhares, quem sabe milhões
de devastadores improdutivos estarão se acoitando na generalização indébita
de situações tão diferentes.
Eu teria muito mais simpatia, ou pelo menos alguma simpatia, pela reforma do Código Florestal se ele distinguisse claramente as exceções a que suas novas
regras se aplicariam. Como você mesmo argumentou, lembre-se da distância
ambiental que separa Juruaia do Vale do Paraiba. E de quantos Vales do
Paraiba o Brasil está impunemente cevando neste momento. O problema é que nossos politicos não legislam para premiar as virtudes minoritários e sim para indultar os pecados majoritários, exatamente porque eles são infinitamente mais numerosos. Loo, têm mais influência e títulos de eleitor.
Em suma, estamos de lados opostos nessa discussão sobre o Código Florestal. Mas é bom saber que voce, como ou sem a ajuda do Rebelo, está pelo menos tratandode tirar o melhor possível de uma terra legalmente desamparada.
Dito isso:
1) Não tenho a menor vocação para viver da terra. Já me dá trabalho suficiente
tentar viver na terra;
2) A idéia de repassar ao governo a obrigação de manter as reservas
legais em terras públicas é um modo enviesado de garantir que isso nunca vai
acontecer, porque a terra no Brasil foi privatizada antes mesmo da
Independência – ou seja, da criação do país – pelas sesmarias portuguesas, as terras devolutas que restam continuam a ser griladas mesmo em florestas públicas ou parques nacionais e não haverá nunca verba suficiente para a regularização fundiária de tamanho latifúndio governamental. Logo, o jeito é mesmo cada um tentar fazer a sua parte.E cumprir a lei é fazer sua parte.
Um abraço,
Marcos
A tréplica também veio instantaneamente. E merece reprodução:
Olá Marcos,
em primeiro lugar, obrigado pela elegante resposta.
Você não precisa viver da terra, basta acompanhar uma lavoura por
algum tempo. Uma, duas semanas, faça essa experiência. Um plantador de
cana em Ribeirão Preto, um cafeicultor de Guaxupé, um plantador de
soja de Lucas do Rio Verde, um verdureiro de Mogi das Cruzes, qualquer
um serve.
Bem ou mal é possível sim o poder público cuidar das reservas. As
universidades, as ONGs, os cidadãos, o exército, podem ajudar a fazer
isso sim.
É importante também lembrar que enquanto são semeados novos Vales do
Paraíba, tem muita coisa melhorando. O meio ambiente do estado de São
Paulo é o melhor exemplo disso. E aí não valem palpites e impressões
superficiais. O ambientalista cético aqui só acredita em dados
levantados de maneira cientificamente válida.
Quanto à devastação das florestas, é preciso levar em conta que onde
ela ocorre com maior impacto, é em regiões onde a população
praticamente não tem renda e uma das poucas formas de sobreviver é
com a derrubada. E – surpresa, o Mangabeira Unger percebeu isso e
deixou claro que a sobrevivência da floresta amazônica passa, em
primeiro lugar, por um política de geração de renda para as populações
locais.
A salvação da floresta primária, para desgosto dos ambientalistas,
passa pela mesma estratégia, que involuntariamente salvou o que resta
de mata atlântica: a formação de florestas uniformes, em que a
exploração da madeira seja mais barata do que a exploração da mata
nativa. É sempre bom lembrar que foi o eucalipto que salvou a mata
atlântica.
O mesmo poderia acontecer na Amazônia, por meio do reflorestamento com
madeiras nobres, que daqui há 20, 30 anos poderiam ser exploradas, com
fantástico potencial. Infelizmente com o nosso ambiente nas mãos de
ministérios e secretarias abarrotados de gente incompetente isso não
acontece. Um exemplo: em Belterra no Pará a Embrapa tentou introduzir
a teca para ocupar as grades áreas onde haviam as antigas plantações
de seringueira. O Ibama barrou pois na Amazônia é proibida a
introdução de espécies exóticas.
Exóticos somos nós que marcamos fronteiras. Não é absurdo a tipuana,
que é daqui de perto, da Argentina, ser uma planta exótica e o
pau-ferro, que é lá do Piauí seja nativo?
Não é absurdo não se poder plantar verduras (plantas exóticas), nas
cidades da Amazônia?
Quero ver esses puristas viverem de mandioca, carne de cateto e jabuticaba.
Um abraço,
Ricardo
janeiro 15th, 2011 at 15:12
Caros, Parabéns pelo debate. É fundamental criar uma lei de responsabilidade urbanística e ambiental para que prefeitos e outras autoridade levam a sério a aplicação da lei e se reduzam os efeitos da mudança do clima. Desculpem os erros, o editor de texto não funciona direito…
Saudações!
Luis Felipe
janeiro 15th, 2011 at 16:04
Luís Felipe,
Também acho. Mas não vi onde estão os erros a desculpar.
Grande abraço,
Marcos
janeiro 15th, 2011 at 21:36
É difícil tentar redigir um comentário moderado a um texto que tenta construir um sofisma usando a tragédia da região serrana do Rio como argumento para desmerecer a reforma necessária do Código Florestal.
Tivessem as encostas que desabaram plantadas com soja ou cheias de bois pastando, vá lá. Mas o que vi foi o desabamento de encostas cobertas de mata sobre casas construídas nas APPs previstas numa lei que só funciona no papel. Na minha visão apenas isso seria razão para reformá-la.
A tentativa de reformar o Código Florestal empreendida pelo Deputado Rebelo tem no cerne dramas como o do Ricardo Dias. No mundo real, dramas como o dele e aquele que ele descreve são muitos mais numerosos do que os pecados que o imaginário do Sá Corrêa, que não tem a menor vocação para viver da terra, o faz crêr que são maioria.
A urbe ainda vive assombrada com o latifúndio agrário exportador de Caio Prado Jr e Celso Furtado. Eles viraram as costas para o campo antes que as mudanças recentes no meio rural brasileiro transformassem a forma de produção rural.
Sá Corrêa acredita que a maioria dos produtores rurais são oligarcas arcáicos que não dão a mínima para o meio ambiente e qualquer reforma no Código Florestal vem para expandir a fronteira agrícola, para liberar o desmatamento, ou para ser indulgente com destruidores do meio ambiente. Isso está errado.
O que faz a reforma da lei florestal necessária é a impossibilidade e os custos de tirá-la do papel no campo, de destruir área agrícolas para reconstruir florestas nativas biodiversas (como se isso fosse possível), de destruir culturas seculares como a produção de café do Ricardo.
O argumento de que não se pode criar reservas públicas porque as terras foram privatizadas é pifio. O SNUC prevê a desapropriação de terras para formação de UCs. O SNUC não funciona porque gastamos esforço tentando empurrar o custo da preservação para a produção agrícola através da RLs ao invés de tentar efetivar e turbinar o SNUC. Enquanto ficamos brigando pelo Código Florestal o recurso externo que vem para preservação é drenado para outros fins (vide o GEF, o FUNBIO e o Fundo Amazônia).
O Relatório do Aldo Rebelo é um relatório ruim. Ele é apenas indulgente com pequenos produtores que são mais afetados pelo custo de adequação ao Código Florestal. Esse é ponto que precisa ser discutido: O custo de adequação. Alguém já mensurou? E se ele for alto demais para ser pago pelo setor rural cuja economia é escrava dos custos e das receitas como qualquer outra? Alguém já contabilzou o custo social da perda de áreas agrícolas para a recomposição do defict de Reserva Legal?
Nós podemos ficar construindo sofismas em texto de jornal, ou podemos encarar o problema de frente.
Ciro Siqueira.
janeiro 15th, 2011 at 22:50
Caro Ciro,
Eu devo me explicar muito mal, ou você deve tirar conclusões muito apressadas, porque nunca escrevi na vida uma linha que pudesse lhe dar motivo para supor, e muito menos afirmar, que tenho na cabeça o desvio ideológico debitado a leituras de Caio Prado Júnior ou por Celso Furtado. Trato do que vejo por aí como repórter. E viajo mais pelo Brasil do que você pensa. Se você encontrar essa linha quie criticou em qualquer coisa já publicada por mim em qualquer tempo, eu dou o braço a torcer e retiro por escrito tudo o que escrevi. Senão, vamos convir que nessa conversa o preconceituoso e leviano não sou eu.
Um abraço,
Marcos
janeiro 16th, 2011 at 1:09
O conteúdo do teu site é protegido. Não consigo usar o ctrl+c/ctrl+v para usar exatamente os caracteres que você usou, mas vou reproduzir:
“O problema é que nossos políticos não legislam para premiar as virtudes minoritários e sim para indular os pecados majoritários, exatamente porque eles são infinitamente mais mumerosos. Loo, têm mais influência e títulos de eleitor.”
Tu estas certo de que queres falar de leviandade?
O que tu chamas de “infinitamente mais numeroso” é um fantasma, Corrêa. Teu talento de fotografo não é capaz de capturá~lo, embora tua retórica de jornalista ambiental seja capaz de descreve~lo. Os adjetivos são terríveis. Eles escravisam você sem que você perceba.
Há vários outros argumentos no comentário que aprovastes. Queres mesmo reduzir todos a uma leviandade que não é minha?
Em tempo, se você sai de casa com as conclusões prontas, tanto faz viajar muito ou não viajar. O Ricardo Dias foi ingênuo ao sugerir que você vá conhecer o campo.
janeiro 16th, 2011 at 7:46
Caro Marcos,
Num ponto o Ciro Siqueira está certo. Teresópolis, Friburgo e enfim, todas as cidades brasileiras atingidas por tragédias consequentes do clima, nada tem a ver com o Código Florestal. Nada mais são do que o descado das autoridades públicas para com o código de postura dos municípios que devem regular a ocupação do solo, principalmente probindo as construções em áreas de risco ou de preservação. Vide o caso do Rio de Janeiro, onde as favelas invadem áreas de preservação e pessoas tão preocupadas, como você, com a preservação ambiental nada fazem. As ONGs preservacionistas se calam, porque nesse caso, as ONGs dos direitos humanos são mais fortes e sempre defendem as invasões de terras, de encostas, seja onde for, pelo direito à moradia, ainda que isso possa ser a perda da vida no futuro.
janeiro 16th, 2011 at 8:10
É muito fácil proibir, mas, onde os menos favorecidos vão Morar?
Se as Leis fossem cumpridas não se poderia construir em quase nenhum lugar.
O problema não é construir aqui ou ali.
A Av. Paulista (e imediações) em São Paulo é uma “APP- Área de Preservação Permanente” de Topo de Morro e Linha de Cumeada com Encostas de Declividade Acentuada dos dois lados (acima do limite das Leis), urbanizadas e construídas e, sem deslizamentos.
Todas as cidades litorâneas estão construídas em APPs de restinga.
Aliás, o Código Florestal e as resoluções do CONAMA valem em todo o território nacional, inclusive nos centros urbanos. Mas são ignorados com a conivência de todos, inclusive dos agentes do Estado, nos centros urbanos, que nada preservam e que são os reais causadores da devastação com seu consumismo, pois ninguém produz se não houver quem compre.
São só exemplos, pois o mesmo acontece em todas APPs, em todo o Brasil.
O problema real é que se deveria construir com bons estudos, projetos e técnicas.
Em vez de estabelecer QUAIS SÃO OS OBJETIVOS e obrigar o empreendedor a apresentar estudos, projetos e técnicas que os alcancem, as Leis (Insustentáveis) simplesmente proíbem, afastando os empreendedores Legais, desvalorizando a maioria das áreas e supervalorizando as poucas áreas onde se pode empreender.
Por causa de Leis Insustentáveis os empreendimentos legais ficam caros e fora do alcance dos cidadãos menos favorecidos, que são a maioria e temos a realidade, uma multidão sem acesso à moradia Legal, os “STL – Sem Teto Legal” e “APB – áreas proibidas baratas”.
O que você acha que vai acontecer?
Você acha que os STLs vão respeitar as APBs e a Lei que os impede de existir? Ou será que o instinto de sobrevivência os levará a enfrentar os perigos, para sobreviver?
Estão criadas as condições para a existência dos loteamentos clandestinos e invasões, com uma ocupação informal e descontrolada, que resultam em devastação, poluição e tragédias.
A verdade é que, SE CUMPRIREM A LEI, NÃO TEM ESPAÇO PARA OS MENOS FAVORECIDOS.
Se querem prender alguém, têm que ser os que fazem Leis absurdas e desconectadas da realidade.
É necessária uma nova Legislação, fundamentada, justa e sustentável.
Vinicius Nardi, por uma Preservação e Ocupação Justas e Sustentáveis
janeiro 16th, 2011 at 8:36
Quer a verdade?
A Legislação Ambiental (LA) é injusta, irracional, sem fundamentos técnicos científicos, ruim, arbitrária, onde a parte cumpridora nunca foi consultada.
Falo de ruralistas pequenos e das periferias das cidades.
Estes não tem visibilidade, nem tempo para mobilizações, nem acesso à internet/mídia.
Estes MILHÕES são injustiçados pela LA
Duvida?
Veja que a LA é inaplicável, pois exige negociações e flexibilizações que pela LA são ILEGAIS
Veja exemplos de preservação justa, sustentável e efetiva
Veja os vídeos do GLOBO RURAL
Serviços Ambientais em Extrema, 4 partes
http://www.youtube.com/watch?v=cX7t9erR1OM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=UacCg7yUGhU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Ip3bxp1BGy0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=vvW1MrOrrrI&feature=related
Textos
http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,4370-p-20081012,00.html
Vinícius Nardi
Preservação e Desenvolvimento Justos e Sustentáveis
janeiro 16th, 2011 at 11:48
O Código Florestal é tolo pelo simples fato de tratar o território nacional da mesma forma (com a abertura ainda mais tola para o ZEE). FMPs em rios que correm em planícies de alagamento iguais as de rios que correm nas serras. Não existe nada disso nos países onde os rios estão limpos, ainda que existam medidas concretas para proteger os rios dos processos erosivos e de sedimentação em locais reais, onde esses processos ocorrem. E isso desde sempre, já que as grandes obras hidráulcias da Alemanha são do século XIX! Aqui, tudo é “genérico”! O Código brasileiro impede o terraceamento de encostas que pode ser visto nas Filipinas (feitos desde há 6.000 anos até há 2.000 anos, e ainda produzindo arroz), na Indonésia e em outras partes da Ásia. E torna de presrevação permanente tudo o que está acima de 1.800 metros, o que obrigaria os emepéios a determinar a retirada de El Alto, na Bolívia, de dezenas de outras cidades e vilarejos na cordilheira dos Andes, e até Lhasa, no Tibete. Não querer o debate aberto é ruim, muito ruim.
janeiro 16th, 2011 at 12:42
Caro Mauro,
Não é bem assim. Conheço a região. Nova Friburgo, pprincipalmente, é um município que já percorri quase todo, por asfalto, trilhas, de carro, jipe, moto, a pé. Espantosamente, ainda é um dos municípios mais florestados do estado do Rio de Janeiro. E nem assim seu campo está livre da degradação gerada por grandes e pequenas proprietários, sitiantes, casas de campo, enfim, de todo mundo. É uma grandeza o que se vê de pastos abertos recentemente em encostas onde um boi mal consegue subir e, subindo, dificilmente engordará naquelas pirambeiras. Há esforços recentes do Instituto Bioaltântica, através do Projeto Muriqui, para tentar recompor, através de incentivos ao reflorestamento de áreas inaproveitáveis num grande corredor para a fauna. Mas o primeiro resultado desses trabalhos foi o levantamento completo dos erros absurdos cometidos por gente tantes vezes bem intencionada que, desconhecendo a lei acaba tramando contra seus próprios interesses, pelas mazelas que produzem em suas propriedades. As cidades da região serrana que foram arrasadas agora pela chuva estavam antes em estado lamentável. Mas não são elas que regulam ou que podem regular sozinha as bacias dos rios que correm pelas áreas urbanas. O modelo é um só. Tanto que, antes do ataque às APPs pela reforma do Código, o Conama – ou seja, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – aprovou dois ou tres anos atrás para as cidades a mesma frouxidão legal e de anistias gerais e irrestritas que agora o novo Código ameaça aplicar ao campo. É uma coisa só. Semanas atrás, atravessei boa parte da área intangível do parque nacional do Iguaçu. Nele, há o único rio da região Sudeste que nasce e deságua num parque nacional – o Floriano. Suas águas chegam ao encontro com o rio Iguaçu transparentes, cheias de peixes, o que por sua vez mantém em suas margens uma fauna de riqueza ainda impressionante. Percorri outros quatro rios que também percorrem a floresta por um túbel de árvores. A paisagem é a mesma. Mas as águas são turvas, cor de barro, e trazem garrafas PET e outros resíduos. Sabe por que?Porque por erro proposital de demarcação suas nascentes ficaram fora do parque. A diferença num caso não chega a um quilômetro e meio de distância. Mas é suficiente para sujá-los por todo o percurso. É disso que estou tentando falar.
Um abraço,
Marcos
janeiro 16th, 2011 at 13:00
Ciro,
Estou indultado. Meu problema não é me explicar mal, mas ser propositalmente mal compreendido por você. Vamos por partes:
1) O conteúdo do meu site não é protegido. É totalmente aberto, inclusive nos arquivos. Protegido é só o acesso à edição, como em qualquer página autoral do mundo. Você é uma prova de que se pode escrever tudo nele, mesmo aquilo com que eu não concordo em termos que eu não usaria. Não se pode é reescrever o que eu escrevo;
2) O trecho que você escolheu para me desmentir simplesmente ratifica o que eu havia dito no comentário anterior sobre sua leviandade, que talvez me caiba a esta altura desculpar como uma dificuldade real de interpretação do que lê, por mais explícito que seja. Dizer que os políticos legislam em favor dos pecados majoritários é um bom exemplo, escolhido por você, do que eu vinha alegando. Dizer que as leis se fazem cada vez mais para atender aos interesses “infinitamente mais numerosos” porque eles têm mais “títulos de eleitor” é exatamente o contrário das intenções que você me atribuiu de trombetear os argumentos de sempre contra o “latifúndio agrário exportador”(palavras suas, não minhas). Embora, na prática, esses interesses se fundam, como se viu em Santa Catarina, onde o governo invocou os pequenos propretários para atender as pressões dos grandes. Desafiei-o a encontrar em qualquer texto que já tenha publicado em 40 anos de jornalismo uma única linha que lhe desse razão nesse ponto. Você veio com uma prova em contrário. Se não entendeu nem isso, acho que a conversa deve parar por aqui.
Marcos
janeiro 16th, 2011 at 13:05
Caro Luiz Prado,
Concordo plenamente com o que você diz. O Código Florestal está precisando de um debate aberto. E sua reforma está chegando ao fim, depois de 11 anos, sem que o país a discuta fora das consultas em circuitos fechados.
Um abraço,
Marcos
janeiro 16th, 2011 at 13:53
Prezado Marcos,
Confesso que encontrei este espaço motivado por Eliane Catanhêde, que na Folha de hoje destaca seu, na parte que propõe responsabilizar homens públicos como pessoas físicas.
Permita-me incluir membros do Poder Judiciário, como os suspeitos de impedirem com liminares uma rara ação preventiva, segundo Ruth de Aquino na revista Época desta semana, do Instituto Estadual do Meio Ambiente, do projeto de reconstrução das margens e da calha do Rio Santo Antônio em Itaipava, no município de Petrópolis.
Um abraço,
Aristides
janeiro 16th, 2011 at 15:04
Vocês que defendem o meio ambiental são moralmente puros e indultados por natureza. Tente marcar e copiar um trecho do seu blog e verá que isso não é possível. Por isso disse que o conteúdo é protegido. Se não entendeu nem isso acho mesmo que a conversa deve parar por aqui.
Repare que você foge insistentemente dos arqumentos que levantei no meu primeiro texto se limitando a me acusar da leviandade que pratica.
Latifúndio agrário exportador não são palavras minhas. São de Caio Prado Jr na construção do fantasma que te assombra e faz você acreditar que o Código Florestal de SC veio para os grandes produtores. Grandes produtores são minoria em SC e você sabe disso, mas esconde do teu leitor.
E o leviano sou eu.
janeiro 16th, 2011 at 15:52
Tá.
janeiro 16th, 2011 at 15:54
Bem-vindo, Aristides. Receber uma visita indicada por Eliane Santtanhede é uma honra. E essa história de Itaipava é exemplar, sim.
Um abraço,
Marcos
janeiro 16th, 2011 at 16:00
Caros,
Gostei muito do debate de idéias, porem ha qtos anos acompanhamos a tragédia que se abate sobre nós, sem que nada de diferente tenha acontecido, penso que enquanto o Prefeito que autoriza a licença de uma obra que não deve ser licenciada for para a cadeia nada mudará.
Quanto a discução sobre derrubada das florestas pelos agentes do eco-tráfico, a situação é a mesma, enquanto não forem para a cadeia por não seguirem as regras que discordam, pois são marginais, não adianta discutir códigos.
janeiro 16th, 2011 at 21:50
Eis que a cortina de fumaça encobriu os argumentos.
E são os ambientalistas que advogam por um debate amplo.
janeiro 16th, 2011 at 22:25
Ciro,
Não sou, nem nunca me identifiquei como ambientalista. Sou um repórter que se interessa cada vez mais por assuntos ambientais, o que é muito diferente. Se me tivesse qualificado a tempo para isso, sem dúvida seria ambientalista. Mas infelizmente não sou. Em favor dos dos ambientalistas, só posso testemunhar que vocês, os anti-ambientalistas, se queixam com frequência de que eles têm acesso à mídia. Se têm é porque gostam de publicar tudo. É muito fácil ouvi-los. Os outros lados, nem sempre. Logo, se alguém evita o debater essas e outras questões não são eles.
Abraço,
Marcos
janeiro 17th, 2011 at 16:59
Marcos,
concordo com vc. quem deve ir para a Cadeia é quem não respeita a atual redação do Código Florestal e da Lei Federal nº 6.766/79. Quem concordou ou se omitou no seu cumprimento é que deve se responsabilizar pelos eventos na região Serrana do RJ, se a Natureza já não fez isso…
Vejam desde 79, temos a seguinte redação do art.3º desta lei que trata do parcelamento do solo urbano, que diz:
Art. 3º Somente será admitido o parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urbanas, de expansão urbana ou de urbanização específica, assim definidas pelo plano diretor ou aprovadas por lei municipal. (NR) (Redação dada pela Lei nº 9.785, 29.1.99)
Parágrafo único. Não será permitido o parcelamento do solo:
I – em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, antes de tomadas as providências para assegurar o escoamento das águas;
II – em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública, sem que sejam previamente saneados;
III – em terreno com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento), salvo se atendidas exigências específicas das autoridades competentes;
IV – em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação;
V – em áreas de preservação ecológica ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis, até a sua correção.
O inciso III é bem enfático qto a questão da declividade…e o IV sobre os riscos geotécnicos…
Disto se conclue que os planos diretores e os antigos Códigos de Posturas dos Municípios desde 79 já deviam observar esta regra geral.
E, claro, sem deixar de observar TAMBÉM, o Código Florestal quando previu as hipóteses das áreas de preservação permanente.
O resto é CONVERSA FIADA!
janeiro 17th, 2011 at 18:18
Pior que conversa fiada, Mônica! Conversa fiada pelo menos conserva a aparência de conversa. A campanha pela ilegalidade na cidade e no campo nem isso.
Um abraço,
Marcos
janeiro 17th, 2011 at 22:57
Agradeço o momento de júbilo pela leitura desta dis-cussão, pois coloca em curso o a necessidade de movimento de ação e este é o que importa a todo ati-vista.
Fiquem em paz e pé na tábua!(no bom sentido,rs,rs,rs)
janeiro 20th, 2011 at 9:01
Este longo comentário veio por e-mail, mas o autor quer que seja publicado:
Olá Marcos!
Bom dia!
Sou o André do Projeto Novo Horizonte
Em 2009 você nos visitou e viu como desenvolvemos um método
e plantio de árvores nativas que estava dando certo.
Na época, você escreveu um artigo a respeito, de título
“Reflorestando à moda nativa”.
Li teu artigo “Não são as chuvas que deveriam ir paa a cadeia”.
Nota 10. Gostei muito. Você verbalizou a verdade. Muito bom.
Parabpens!
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Ocoreu-me de te enviar umas idéias sobre 2 temas que, acredito,
merecem investigação, e talvez uma matéria, cada um.
1. no momento em que os desastres ambientais acontecem com frequencia crescente
no nosso Brasil – enchentes, estiagens e até furações… momento em que ações
práticas em favor do reequilíbrio ambiental se tornam mais urgentes,
há ONGs ambientais FECHANDO AS PORTAS!!!!!!!!!!
É o caso:
- da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza – FBCN, fundada em 1958,
talvez a primeira OBG do Brasil ! Uma oNG com equipe formada e muitos projetos
realizados.
- da Rede de ONGs da Mata Atlântica. O site continua no ar, mas da última vez
que entrei nele, para associar Floresta Brasil, encontrei um último texto,
se não me engano de meados de 2009, informando que haviam fechado o escritório;
- do IDA – Instituto de Desenvolvimeneto Ambiental, segundo soubem, a maior ONG
BRASILEIRA, instalada em Brasília!!! Com muita experiência e muitos e muitos
projetos realizados
O que estará acontecendo?
2. Se você quisesse plantar uma floresta nativa, que profissional você contrataria
para realizar o projeto?
Eu, André, conrataria – e contratei – um engenheiro FLORESTAL.
Mas… você sabia que as faculdades de engenharia florestal brasileira,
desde que foram criadas, formam (possivelmente muito bem)
engenheiros especializados em implantar florestas PRODUTIVAS?
Ou seja, de pinus e eucaliptus?
E que nas faculdades que consultei, NEM EXISTE DISPONÍVEL CADEIRA
DEDICADA AO ENSINO DA SUCESSÃO FLORESTAL NA MATA ATLÂNTICA!!!!!!!
e NEM NA MATA AMAZ?ONICA!!!!!! E NEM NO CERRADO!!!!
Os profissionais que entendem do assunto aprenderam sobre isso com pessoas
que estão FORA DO MEIO ACADÊMICO!!! Como o suiço Ernst Goetsch, que foi
o inspirador do método de plantio que aplicamos no Projeto Novo Horizonte….
Emfim… ficam aí duas sugestões que pode ser que valha a pena investigar!
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Sobre o Prrojeto que você conheceu, uma rápida atualização:
o metodo demonstrou, de fato, ser capaz de fazer se desenvolver em
mudas arbóreas, mesmo que plantadas em solos completamentet degradados,
onde o plantio com outros métodos leva COMUMENTE à perda de até
90% das mudas plantadas. Ou seja, você farejou uma notícia correta…
rsrsrsr
De lá para cá plantamos mais algumas mudas daquela forma,
e o resultado você pode ver em nosso site www;projetonovohorizonte.org.br.
Aba “Metodo da PCFs”, sub-aba “Resultados”.
Não plantamos muitas mudas pois o prazo contratual acabou.
Aliás, o fim do contrato com a Petrobras é um capitulo que, em ingles,
chamaríamos de “disgusting”. Mas isso fica para a próxima.
O que nos dá muita alegria é que fomos chamados para orinetar o plantio
das margens de uma rodovia que cruza o interior do estado de São Paulo,
o que deverá ser feito justamente utilizando o método.
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É isso!
Um grande abraço,
André Rívola
Floresta Brasil