O primeiro sinal da primavera foi a volta dos andorinhões às cataratas. Eles vieram antes da estação. Retomaram seus postos nas rochas a prumo. E, no céu, o lugar dos intermináveis poentes vermelhos, por obra e graça do ar seco e opaco das queimadas.
Numa série inédita de vídeos, entre depoimentos de ex-diretores do Iguaçu e descendentes de pioneiros, a entrevista de uma ex-moradora do parque destoa pelo horror ao mato. Mas é história típica da fronteira.
O Dia da Árvore é uma ótima ocasião perdida para os brasileiros aprenderam que não adiante enfiar no chão as mudas distribuídas pelos organizadores da festa e dar o caso do desmatamento por encerrado.
De onde vem a palavra "meandro", tão universal que se encaixa naturalmente no vocabulário de um guia de traços indígenas no rio Iguaçu? De um velho desastre ambiental que o mundo esqueceu.
Nem a presença do presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff conseguiu abafar, no começo do mes, a campanha matrimonial dos guaxes, que aos berros tecem seus ninhos nas palmas das jerivás.
Como recuperar três semanas de ausência no parque nacional do Iguaçu? Dando baixa no tempo perdido, que só volta no ano que vem, e correndo atrás das novidades da estação, que também passam depressa.
Antes de jogar a toalha, convém se mirar o exemplo do físico Germano Woehl que, em vez de esperar pelas mudanças da política brasileira, resolveu pegar a unha o destino de um fragmento florestal na serra de Santa Catarina e há sete anos o mantém de pé, com denúncias e protestos.
Se o eleitorado respirar fundo, não precisará perder um minuto com o horário gratuito de propaganda eleitoral para notar que, nesta campanha, deveria estar em debate o modelo de desenvolvimento que troca ar por fumaça. Mas a fumaça que sufoca também embaça a visão.
quarta-feira, setembro 29, 2010
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